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Na Mira

Saiba quais cidades do DF mais consomem "Chapa PPK"; veja ranking

De acordo com o levantamento, Águas Claras lidera o ranking de compradores do Chapa PPK. A região consumiu 14% das vendas do lubrificante

25/09/2024 02:14, atualizado 26/09/2024 12:10
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lubrificante sexual à base de maconha

A associação criminosa especializada no tráfico de produtos feitos à base de óleo de maconha e liderada por um casal de jovens moradores de Pirenópolis (GO) possuía uma clientela fiel no Distrito Federal. Durante as apurações, a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) identificou as regiões do DF onde moram os usuários que mais consomem a Chapa PPK, lubrificante feito com compostos da Cannabis, a planta da maconha.

Os investigadores da Cord identificaram que 1.808 encomendas foram postadas pelos criminosos, sendo que cada uma dessas embalagens poderiam conter mais de um produto à base de maconha e com alto teor de THC.  Parte dessas remessas foram direcionadas a diversas regiões administrativas.

De acordo com o levantamento, Águas Claras lidera o ranking de compradores do Chapa PPK. A região consumiu 14% das vendas. Em segundo lugar, com 12%, aparecem os usuários da Asa Norte. Logo em seguida, em terceiro lugar, estão as regiões do Noroeste e Guará, ambos com 7% das compras. Fechando a lista, com 6% das aquisições está a região do Jardim Botânico.

Veja o ranking das regiões que mais compram Chapa PPK:

O esquema

O óleo, conhecido como Chapa PPK e rico em tetrahidrocanabinol – o famoso THC – era o carro-chefe da associação criminosa  especializada no tráfico de drogas desmantelada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), nessa terça-feira (24/9).

O esquema era comandado por um casal residente em Pirenópolis (GO) desde 2018, segundo as apurações da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord). A maconha era utilizada como matéria-prima para a elaboração de produtos que iam de sabonete, passando por protetores labiais até chegar nos lubrificantes vaginais. O bando faturava alto, já que os produtos custavam caro: alguns passavam de R$ 900.

O casal operava um grupo no WhatsApp como canal de comunicação direto com os usuários dos usuários dos diversos tipos de drogas. O grupo existia desde 2021 e contava com diversos perfis cadastrados com linhas telefônicas do Distrito Federal. Por meio do grupo era possível receber catálogos de produtos e promoções dos itens à base de maconha.  Com mais de 60 mil seguidores nas redes sociais, o bando distribuía para o Distrito Federal e para todo o território brasileiro.

Veja imagens do Chapa PPK vendido pelo grupo criminoso:

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Chapa PPK

Quando comercializava o lubrificante, que tinha preços partindo de R$ 130 o fraco com cerca de 15 mil, os criminosos frisavam que a substância se tratava de um produto “especializado para a região íntima rico em canabinóides. Ao aplicar diretamente na vagina, outros neurotransmissores são ativados e liberados no nosso corpo, em especial, o óxido nítrico”, dizia a propaganda.

Além de supostamente garantir orgasmos múltiplos, o lubrificante, de acordo com o casal de traficantes, também promovia tratava a área íntima.  “Nosso lub das deusas, perfeito e sem defeitos. É feito com flores da cannabis orgânica. Além de estimular a área íntima promovendo orgasmos incríveis, ele pode ser usado para tratar fissuras e ressecamento vaginal”, apontava outra propaganda.

Segundo as investigações, o grupo exercia ilegalmente a medicina e praticava curandeirismo, anunciando supostas curas e colocando pessoas e animais em perigo. A rede criminosa também fabricava e fornecia produtos comestíveis à base de cogumelos alucinógenos (psilocibina) e maconha. O grupo agia sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Chocolates

De acordo com a Cord, o grupo inclusive oferecia entorpecentes adicionados a alimentos, tais como chocolates e brownies. Batizada como Aruanda, a operação teve apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e dos Correios.

Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, quatro de busca e apreensão no DF e nas cidades de Anápolis (GO) e Pirenópolis (GO). Dois dos investigados foram presos em flagrante.

Os investigados responderão pelos crimes de exercício ilegal da medicina, curandeirismo, charlatanismo, tráfico de drogas interestadual, associação para o tráfico e disseminação de espécies que possam causar dano à agricultura, à flora e aos ecossistemas. Em caso de condenação, podem ser sentenciados a até 39 anos de prisão.

* Inicialmente, o Metrópoles usou a grafia do produto com X (Xapa Xana), mas uma empresa com o mesmo nome – como é conhecido popularmente o lubrificante vaginal – acionou a reportagem, informando que não foi alvo de nenhuma operação policial nem é investigada pela PCDF.