Na Mira

Quem são servidor do Detran e esposa foragidos por fraude milionária

Servidor teria cooptado a esposa e despachantes para fraudar transferências de carros do Detran-DF. O grupo cobrava cerca de R$ 2 mil

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 foragidos - Foto: Reprodução / PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) procura quatro foragidos suspeitos de integrarem um esquema de fraudes milionárias no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). Entre os foragidos estão o servidor do Detran e a esposa dele, apontados como os mentores do esquema.

Os líderes foram identificados pela investigação como Shana Rodrigues Macedo e Alexandre Macedo da Rosa (foto em destaque).

Batizada de Ghost Operator, a operação investiga uma organização criminosa responsável por acessos indevidos aos sistemas do Detran. Ao menos 600 transferências irregulares foram realizadas utilizando a senha de uma servidora em horários que ela não estava no trabalho.

Além dos líderes do esquema, Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho são procuradas pela da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte),

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A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos investigados. O espaço segue aberto para manifestações.

A ação policial ocorreu nesta terça-feira (26/5) e também cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul. As diligências ocorreram em Brasília (DF), Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS), além do sequestro de valores relacionados ao esquema.

Veja: 

Uso irregular da senha de servidora

A servidora, que teve a senha funcional utilizada sem seu conhecimento, comunicou o caso à Polícia Civil e ao próprio Detran assim que identificou a irregularidade. A partir disso, a autarquia iniciou apuração interna e constatou mais de 600 transações irregulares vinculadas à matrícula funcional, inclusive fora do horário de expediente.

De acordo com o delegado Thiago Boeing, as apurações indicam que um servidor do órgão, com participação da esposa, seria um dos responsáveis pela condução do esquema milionário de fraudes. O grupo utilizava, de forma irregular, credenciais de acesso de uma servidora do Detran-DF.

Em janeiro deste ano, a Polícia Civil deflagrou a primeira fase da operação. Segundo o delegado Thiago Boeing, a análise do material apreendido permitiu identificar a estrutura e o funcionamento da organização criminosa, apontada como liderada por um servidor do Detran-DF.

O Detran-DF informou que as irregularidades foram identificadas por meio de monitoramento interno e cruzamento de dados de segurança. Em nota, o órgão destacou que a apuração administrativa inicial contribuiu para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Cobrança de R$ 2 mil por transação

De acordo com a investigação, o grupo contava com despachantes responsáveis por atrair interessados nos serviços ilegais, cobrando cerca de R$ 2 mil por cada transação fraudulenta.

Os valores eram depositados na conta bancária da esposa do servidor investigado, apontado como responsável por efetivar alterações irregulares no sistema com auxílio de terceiros.

Inicialmente, o esquema explorava a senha funcional da servidora que registrou a ocorrência. Após a perda desse acesso, os investigados teriam criado usuários “fantasmas”, sem vínculo com o órgão, mas com permissão para inserir dados indevidos no sistema.

Além das transferências fraudulentas de veículos, as investigações identificaram ainda a retirada irregular de restrições administrativas e multas. No total, o grupo teria movimentado cerca de R$ 1 milhão.

As apurações indicam que os investigados cadastravam transferências sem a documentação exigida ou com documentos adulterados, aprovando os processos por meio de acessos indevidos ao sistema.

Os suspeitos foram indiciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O que diz o Detran

Em nota, o Detran-DF afirmou que contribuiu ativamente com as investigações, fornecendo informações técnicas, registros de acesso e dados que ajudaram a identificar padrões de invasão e origens das conexões fraudulentas.

O órgão também informou que mantém medidas permanentes de reforço da segurança e revisão de acessos aos sistemas internos. Em casos de envolvimento de servidores, são adotadas medidas administrativas imediatas, como afastamento e bloqueio de credenciais, além da abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, destacou a atuação integrada entre os órgãos de segurança pública no avanço das investigações.

“Estamos atentos e trabalhando em conjunto com a Polícia Civil para identificar os responsáveis por essas ações criminosas”, afirmou.

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