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Polícia prende traficantes do Comando Vermelho que faturaram R$ 3 bi

Mandados de prisão e de busca e apreensão são cumpridos no DF e em oito estados. Megaoperação combate lavagem de dinheiro e tráfico

atualizado 23/03/2022 8:48

PCDF DOERafaela Felicciano/Metrópoles

Policiais civis do Distrito Federal e de mais oito estados atuam em uma megaoperação de combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e de armas. Os alvos são integrantes da facção carioca Comando Vermelho. A ação, batizada de Mercador de Ilusões, foi deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (23/3)

São cumpridos oito mandados de prisão e 40 de busca e apreensão no DF, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Amapá, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital também determinou o bloqueio de contas e bens de 13 pessoas e de nove empresas, em um total de R$ 681.647.987,92.

A coluna apurou que apenas um dos suspeitos alvo da operação na capital federal tinha R$ 8 milhões em imóveis. Policiais da Coordenação de Repressão às Drogas da PCDF (Cord) e da Divisão de Operações Especiais (DOE) prestaram apoio e cumpriram buscas em Brasília.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ), a quadrilha movimentou R$ 3 bilhões em três anos. O caso começou a ser apurado em 2019.

Smurfing

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que também participa da operação por meio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explica que os criminosos utilizam-se de uma prática conhecida como smurfing, depósitos de grandes quantias de forma fracionada, para lavarem dinheiro do Comando Vermelho.

Os investigadores identificaram que os depósitos bancários feitos em favor de duas empresas, em outubro de 2019, nos valores de R$ 30 mil e R$ 23,7 mil, eram provenientes do tráfico de drogas da Comunidade do Brejal, situada no Complexo do Salgueiro, dominado pelo Comando Vermelho.

A partir do acompanhamento da movimentação financeira das duas empresas, descortinou-se um esquema criminoso que envolve diversas pessoas pelo país, muitas em regiões de fronteira, que figuram como sócias ou procuradoras de empresas de fachada.

Também foi apurado que algumas dessas empresas realizam a lavagem de capital por meio de criptomoedas, ativos financeiros digitais, protegidos por criptografia, e movimentados sem o controle do Banco Central, da Receita Federal e de outros órgãos de fiscalização. Esse tipo de operação dificulta o rastreio dessas transações e favorece a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas.

Rabicó

A base do bando era localizada no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). O líder é apontado como Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó. Ele é considerado um dos criminosos mais perigosos do Rio.

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