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Apuração pelo Brasil

Na Mira

PCC tentou criar estrutura no DF com grupo de 80 integrantes, diz PCDF

Na comunidade os criminosos tratavam sobre armamentos, novos integrantes, inimigos e rifas para ajudar faccionados presos

08/10/2026 15:20
Material cedido ao Metrópoles
Operação contra o PCC

O Primeiro Comando da Capital (PCC) tentou reproduzir no Distrito Federal uma estrutura semelhante à mantida pela facção em São Paulo, mas teve os planos interrompidos por equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) durante operação nesta quinta-feira (8/10). Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), um grupo de WhatsApp com cerca de 80 integrantes funcionava como uma espécie de núcleo da organização na capital e reunia pessoas com diferentes funções dentro da facção.

Veja imagens da operação:

Batizado de “Faculdade de Brasília”, o grupo era usado para tentar esconder a relação com o PCC. Segundo o delegado-chefe adjunto, Jorge Teixeira de Lima, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) e delegada Agatha Natasha Santos, responsáveis pela investigação, todas as vezes que o grupo tenta se instalar em Brasília, a polícia impede a ação criminosa.

“Existem as divisões de função no grupo. Geral do livro; Geral do paiol, que é quem, em tese, cuidaria das armas; Geral das trancas e o Geral da fora do ar. Eles têm, mais ou menos um organograma de uma empresa. E tudo isso vem de um modelo de São Paulo”, afirmou Jorge Teixeira.

Ordens de São Paulo

A polícia identificou ainda a existência de uma espécie de responsável geral pelo estado, que coordenava pessoas interessadas em ingressar na facção no Distrito Federal, esses criminosos são intitulados de “Geral do Estado”.

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“Os integrantes com esse cargo geralmente não ficam aqui no DF. Eles ficam em São Paulo ou ficam em alguma cidade próxima”, destacou o delegado.

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Batizada de Operação Jubilados, a ação cortou o silêncio do Distrito Federal, de Goiás e de São Paulo para desmantelar a “Faculdade Brasília do crime”
A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF)
O grupo clandestino “Faculdade Brasília”, uma célula virtual com cerca de 80 integrantes batizados
Equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) deflagraram operação nas primeiras horas desta quinta-feira (8/10)
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Equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) deflagraram operação nas primeiras horas desta quinta-feira (8/10)

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Batizada de Operação Jubilados, a ação cortou o silêncio do Distrito Federal, de Goiás e de São Paulo para desmantelar a “Faculdade Brasília do crime”
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Batizada de Operação Jubilados, a ação cortou o silêncio do Distrito Federal, de Goiás e de São Paulo para desmantelar a “Faculdade Brasília do crime”

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A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF)
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A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF)

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O grupo clandestino “Faculdade Brasília”, uma célula virtual com cerca de 80 integrantes batizados
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O grupo clandestino “Faculdade Brasília”, uma célula virtual com cerca de 80 integrantes batizados

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A investigação também aponta que algumas determinações relacionadas às atividades do grupo partiam diretamente de São Paulo. “Algumas, especificamente após a deflagração de hoje, nós temos a informação que vieram diretamente de São Paulo, que era prestado contas para São Paulo”, afirmou.

Apesar da tentativa de implantação da estrutura, a PCDF afirma que o PCC não conseguiu estabelecer uma sede fixa no Distrito Federal. Segundo o delegado, os integrantes mudavam constantemente e a polícia atuava para impedir a consolidação do grupo. “Na verdade, aqui em Brasília, eles tentam se instalar e a gente corta pela raiz”, destacou Jorge.

Livros

A ramificação da organização criminosa paulista contava com dois tipos de cadastro, conhecidas como livro branco e livro preto. O primeiro era usado para cadastrar novos integrantes do PCC.

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“Esse cadastro dependia de uma pessoa que integrava a facção e que seria o padrinho dele perante a facção […] Se essa pessoa, que já era faccionada, repassasse para ele as informações, era atribuído um número de matrícula e também o vulgo. E, a partir daí, ele passava a integrar essa facção”, afirmou a delegada Agatha.

O livro preto tinha a função de cadastrar possíveis inimigos da facção. De acordo com os investigadores, os faccionados do PCC usavam o termo “lixo” para se referir a rivais, principalmente integrantes de uma facção criminosa do Rio de Janeiro.

“Eles [os integrantes da “faculdade de Brasília”] tentam até às vezes se cacifar e ganhar notoriedade dentro da própria facção, se conseguir matar o “lixo”, como eles mesmos falam”, Jorge.

Ajuda financeira

A delegada Agatha destacou que o grupo realizava rifas para arrecadar recursos, e auxiliar familiares de pessoas presas.

“Nós identificamos que eles realizavam rifas de arrecadação em prol dessa facção […] Com o valor arrecadado dessas rifas, eles promoviam o auxílio básico a essas famílias, ajudando com alimentos, roupas, necessidades vitais”, destacou.

Ainda de acordo com a delegada, a ação tinha um caráter assistencial voltado aos familiares de integrantes presos.

Entenda

Na manhã desta quinta-feira, uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF) cumpriram 27 de busca e apreensão.

  • Durante a ação foram cumpridos 15 mandatos de prisão temporária;
  • A ação foi realizada em 10 regiões administrativas do DF: São Sebastião, Itapoã, Samambaia, Sol Nascente, Ceilândia, Santa Maria, Candangolândia, Gama, Planaltina e Estrutural;
  • A operação também se estendeu para Águas Lindas de Goiás e em São Paulo, nos municípios de Sorocaba e Indaiatuba.

A operação deflagrada é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF).