"Faculdade do PCC": célula espionava polícia e ditava sentenças em Brasília.
Operação Jubilados cumpre 48 mandados judiciais no DF, em Goiás e São Paulo, estoura alvos estratégicos e trava o avanço de células do PCC
08/10/2026 06:44, atualizado 08/10/2026 07:46

Equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) deflagraram operação nas primeiras horas desta quinta-feira (8/10) contra a maior facção criminosa do país. Batizada de Operação Jubilados, a ação cortou o silêncio do Distrito Federal, de Goiás e de São Paulo para desmantelar a “Faculdade Brasília do crime”. A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF).
A ofensiva desferiu um golpe cirúrgico na espinha dorsal do Primeiro Comando da Capital (PCC) neutralizando lideranças e desmantelando a infraestrutura de comando que operava clandestinamente a partir de redes virtuais e do sistema carcerário.
O grupo clandestino “Faculdade Brasília”, uma célula virtual com cerca de 80 integrantes batizados, funcionava como o cérebro e o tribunal executivo do PCC no DF. Sob a égide do fórum de mensagens, a estrutura operava como o principal canal de comando e controle da facção paulista na capital da República, coordenando a logística de armas e munições, o controle financeiro, a expansão de pontos de venda de drogas e a assistência a detentos, além de abrigar um núcleo de contrainteligência responsável por espionar operações policiais e mapear rivais para execução.
São cumpridos 21 mandados de prisão temporária e 27 de busca e apreensão. O aparato policial cercou alvos estratégicos mapeados em 10 regiões administrativas: São Sebastião, Itapoã, Samambaia, Sol Nascente, Ceilândia, Santa Maria, Candangolândia, Gama, Planaltina e Estrutural, além de adentrar pavilhão por pavilhão em unidades prisionais do DF.
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Ver todasNo Entorno, as viaturas avançaram sobre pontos-chave em Águas Lindas de Goiás, enquanto equipes da Polícia Civil paulista cumpriam ordens judiciais de forma simultânea nos municípios de Sorocaba e Indaiatuba.
Centrais de comando
A ação é fruto do desdobramento minucioso de dados colhidos na Operação Mosaico, ocorrida em dezembro de 2025. A análise técnica do material apreendido na época permitiu à inteligência policial mapear a nova hierarquia do PCC no DF e expor a existência dos grupos digitais “Faculdade Brasília” e “Juntos Somos Mais Fortes DF”.
Os canais eram utilizados como verdadeiras centrais de comando e controle, por onde transitavam ordens operacionais, repasses financeiros e orientações da cúpula faccionada. As investigações comprovaram que o grupo “Faculdade Brasília”, funcionava como o tribunal executivo do grupo na região.
As interceptações autorizadas pela Justiça expuseram um organograma criminoso rígido, dividido em setores operacionais encarregados do controle do paiol de armas e munições, da arrecadação de rifas e mensalidades, do cadastro de faccionados, da assistência logística a presos, do recrutamento de novos membros e do cumprimento da disciplina interna da organização.
Inteligência do PCC
Entre os achados mais críticos do trabalho policial, está o estouro de um setor de inteligência e contrainteligência montado pelo PCC. O departamento clandestino levantava informações sobre rotinas de viaturas, operações policiais e investigações em andamento, visando burlar a ação do Estado.
O mesmo núcleo produzia dossiês contra facções rivais, catalogando fotografias, endereços de familiares, passagens policiais e rotinas de alvos marcados para morrer. A investigação também mapeou o processo de tomada e expansão de pontos de venda de drogas no DF, denominados internamente de “lojas”, submetidos a cobranças e regras impostas pela facção.
Os alvos presos respondem, nesta fase, com enquadramento direto no artigo 2º da Lei nº 12.850/2013 pela prática do crime de integração a organização criminosa, cujas penas chegam a 8 anos de reclusão e multa, sem prejuízo de aditamentos por tráfico de drogas, porte ilegal de armas e homicídios ao longo do processo.
Apoio operacional
A deflagração da operação exigiu uma força de reação integrada de grande porte. A ação de campo contou com a atuação direta do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR) e da Divisão de Operações Especiais (DOE), pela PCDF; do Batalhão de Policiamento com Cães (BPCAES) e do Policiamento Tático Móvel (PATAMO), pela PMDF; além de agentes da Polícia Penal do DF e da Polícia Civil de São Paulo.
A estrutura da FICCO/DF reúne esforços da Polícia Federal, Polícia Civil do DF, Polícia Militar do DF, Polícia Penal do DF e Polícia Penal Federal. Com os alvos encarcerados, a perícia trabalha agora na extração de dados dos eletrônicos e materiais apreendidos para desdobrar novas fases e identificar os demais tentáculos da facção no DF.












