“Faculdade de Brasília” do PCC reunia cadastro de inimigos, armas e rifas
Grupo usado pelo PCC no DF tinha cerca de 80 integrantes e servia para organizar diferentes atividades da facção, segundo a PCDF
08/10/2026 13:35

O grupo chamado “Faculdade de Brasília”, identificado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante a Operação Jubilados, reunia cerca de 80 integrantes e era utilizado para organizar diferentes atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal. Apesar do nome, usado para camuflar o objetivo do grupo, os investigadores encontraram conversas sobre armas, cadastro de integrantes, identificação de inimigos e arrecadação de dinheiro por meio de rifas.
Veja operação contra o grupo:
A operação batizada de Operação Jubilados foi realizada na manhã desta quinta-feira (8/10).
Segundo o delegado-chefe adjunto, Jorge Teixeira de Lima, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) e a delegada Agatha Natasha Santos, responsáveis pela investigação, o grupo funcionava no WhatsApp e reunia integrantes que tinham diferentes funções dentro da organização criminosa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEntre os assuntos tratados estavam o armamento da facção, a identificação de comparsas, o cadastramento de novos integrantes, a divulgação de rifas e o levantamento de possíveis inimigos.
“Faculdade de Brasília era o nome de um grupo da facção criminosa que eles camuflavam. Eles faziam isso para tentar ocultar e não identificar de cara que se tratava de um grupo de uma organização criminosa”, destacou Jorge Teixeira.
Dentro do grupo, os investigadores identificaram cerca de 80 pessoas. Curiosamente, segundo o delegado, a maioria dos integrantes não tinha relação com o perfil sugerido pelo nome usado. “Pelo levantamento, a maioria das pessoas que estavam nesse grupo “Faculdade de Brasília”, sequer tinham ensino médio. A maioria era só com ensino fundamental”, relatou o delegado.
Além do cadastramento de integrantes, o grupo também era utilizado para tratar de armamentos. Os investigadores identificaram a existência de um chamado “geral do paiol”, responsável, em tese, pela área relacionada às armas.
“Era um grupo geral. Então, existiam membros das mais diversas funções. Lá eles tratavam sobre resumos referente aos armamentos, a identificação de comparsas, ao cadastramento de novos indivíduos, a divulgação de rifas e a identificação dos inimigos”, explicou o delegado.
Rifas
Em relação às rifas, a delegada Agatha explicou que elas tinham como objetivo arrecadar recursos, e todo o dinheiro obtido era utilizado para auxiliar familiares de pessoas presas.
“Nós identificamos que eles realizavam rifas de arrecadação em prol dessa facção […] Com o valor arrecadado dessas rifas, eles promoviam o auxílio básico a essas famílias, ajudando com alimentos, roupas, necessidades vitais”, destacou.
Segundo o delegada, a ação tinha um caráter assistencial voltado aos familiares de integrantes presos. “Então, a organização criminosa tinha esse viés assistencialista às famílias dos presos.” acrescentou.
Livros
A estrutura também contava com dois tipos de cadastro, chamados de livro branco e livro preto. O primeiro era utilizado para registrar novos integrantes do PCC. Para fazer parte da organização, era necessário ser indicado por um integrante já faccionado, chamado de “padrinho”.
“Dentro do livro branco ele realizava o cadastro de novos indivíduos. Esse cadastro dependia de uma pessoa que integrava a facção e que seria o padrinho dele perante a facção”, afirmou a delegada Agatha.
Segundo a PCDF, o padrinho precisava avalizar a entrada do novo integrante. “Se essa pessoa, que já era faccionada, repassasse para ele as informações, era atribuído um número de matrícula e também o vulgo. E, a partir daí, ele passava a integrar essa facção”, destacou a delegada.

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Ver todasJá o livro preto era utilizado para cadastrar possíveis inimigos da facção. Segundo os investigadores, os integrantes do PCC usavam o termo “lixo” para se referir a rivais, principalmente integrantes de uma facção criminosa do Rio de Janeiro.
“Eles [os integrantes da “faculdade de Brasília”] tentam até às vezes se cacifar e ganhar notoriedade dentro da própria facção, se conseguir matar o “lixo”, como eles mesmos falam”, Jorge.
Operação
Na manhã desta quinta-feira, uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF) cumpriram 27 de busca e apreensão e foram cumpridos 15 mandatos de prisão temporária.
A ação foi realizada em 10 regiões administrativas do DF: São Sebastião, Itapoã, Samambaia, Sol Nascente, Ceilândia, Santa Maria, Candangolândia, Gama, Planaltina e Estrutural.
A operação também se estendeu para Águas Lindas de Goiás e em São Paulo, nos municípios de Sorocaba e Indaiatuba. A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF).











