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Pão de fachada e droga como lucro: o esquema de facção atrás do balcão

Investigação da Polícia Civil revela ação de organização criminosa que usava padaria como fachada para tráfico e lavagem de dinheiro

atualizado

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Pão caseiro
1 de 1 Pão caseiro - Foto: Canva

Um detalhe chamou a atenção dos investigadores da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) e simboliza o nível de ousadia da organização criminosa desarticulada no Distrito Federal: a mesma balança usada para pesar pães era utilizada para fracionar drogas. O equipamento, comum em qualquer padaria de bairro, tornou-se símbolo de um esquema sofisticado de tráfico e lavagem de dinheiro revelado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante a Operação Eiron.

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A ação mobilizou um contingente de 200 policiais
O objetivo é para desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas e falsa rede de proteção
A Operação Eiron foi deflagrada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte)
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A Operação Eiron foi deflagrada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte)

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A ação mobilizou um contingente de 200 policiais
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A ação mobilizou um contingente de 200 policiais

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O objetivo é para desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas e falsa rede de proteção
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O objetivo é para desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas e falsa rede de proteção

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A descoberta foi feita em um dos estabelecimentos comerciais utilizados como fachada pelo grupo, evidenciando como atividades aparentemente legais eram usadas para ocultar práticas ilícitas no coração das comunidades de Samambaia e Ceilândia. A padaria não era um caso isolado. As investigações apontaram que a organização mantinha uma rede de estabelecimentos, incluindo distribuidoras de bebidas e quiosques, que funcionavam como pontos estratégicos para armazenamento, fracionamento e venda de entorpecentes.

O uso desses locais permitia ao grupo operar com aparência de legalidade, dificultando a ação policial e reduzindo suspeitas. Enquanto clientes compravam produtos comuns, o tráfico acontecia de forma paralela e silenciosa. Os lucros eram posteriormente lavados por meio de transferências via Pix para contas de terceiros, os chamados “laranjas”, criando uma camada adicional de ocultação financeira.

Cardápios de droga

Diante das evidências, a PCDF deflagrou a Operação Eiron, mobilizando cerca de 200 agentes para cumprir 39 mandados judiciais — 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. A ação foi desencadeada após meses de investigação, iniciados em outubro de 2025. O objetivo central foi desarticular uma organização criminosa armada envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região da QR 421 e áreas adjacentes.

Além da atuação física nos comércios de fachada, o grupo também se destacava pelo uso de tecnologia. Os criminosos divulgavam “cardápios” de drogas em redes sociais, negociavam por aplicativos de mensagens e realizavam entregas no modelo delivery.

Para despistar a fiscalização, os entorpecentes eram escondidos em embalagens de fast-food, simulando pedidos comuns. Entre as substâncias comercializadas estavam crack, cocaína, haxixe (“dry”), maconha em versões como “skunk” e “ice”, além de lança-perfume.

“Assistencialismo” do crime

Paralelamente ao tráfico, a organização investia em ações sociais para conquistar apoio da comunidade. Inspirados no modelo de facções como o Terceiro Comando Puro (TCP), os criminosos promoviam festas, distribuíam cestas básicas e ofereciam alimentos em datas comemorativas.

Essas ações, financiadas com recursos do narcotráfico, tinham como objetivo comprar o silêncio da população e dificultar denúncias, criando uma falsa imagem de benevolência. Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a presença da Estrela de Davi pintada em casas e muros de Samambaia. O símbolo é associado ao Terceiro Comando Puro e ao criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”.

A marcação indica tentativa de domínio territorial e possível aproximação com a facção carioca, sugerindo a importação de práticas comuns nas favelas do Rio de Janeiro para o Distrito Federal.

Violência extrema

Apesar da aparência de normalidade nos comércios e das ações sociais, a investigação revelou um cenário de extrema violência. Integrantes do grupo foram flagrados ostentando armas de grosso calibre e praticando agressões severas.

Em um dos casos, um usuário de drogas foi brutalmente espancado, evidenciando a atuação do chamado “tribunal do crime”. Em fevereiro de 2026, um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá, em circunstâncias ainda sob investigação.

Os envolvidos responderão por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de prisão.

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