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Na Mira

"Neguinho ladrão": com 401 casos, injúria racial cresce 8,4% no DF

No DF, alguns casos que chegaram à polícia chocaram pelo teor das ofensas: “Negrinhos da África”, “bom aluno, apesar de ser preto"

07/07/2025 02:30, atualizado 07/07/2025 08:56
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Reprodução
“Neguinho ladrão”: com 401 casos, injúria racial cresce 8,4% no DF

O número de casos de injúria racial aumentou 8,4% no Distrito Federal. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), foram registrados 401 casos nos primeiros seis meses deste ano. No mesmo período do ano passado, foram 370 ocorrências.

Mas, afinal, o que é injúria racial?

É quando alguém ofende a honra de outra pessoa usando questões relacionadas à raça, cor, etnia, religião ou origem. Antes, esses casos não tinham a mesma gravidade legal, mas, com a mudança na Lei nº 7.716/89, essa forma de violência passou a ser tratada como crime de racismo — uma conquista importante, ainda que infelizmente necessária.

No DF, alguns casos que chegaram à polícia chocaram a sociedade pelo teor das ofensas. Frases disparadas, como “cabelo de bucha”, “negrinhos da África”, “bom aluno, apesar de preto” e “neguinho ladrão”, mostram o quanto o preconceito ainda está presente, em pleno século XXI.


Relembre alguns casos


Vidas marcadas pela dor e pelo preconceito

Mais do que estatísticas, esses números são histórias de vidas marcadas pela dor e pelo preconceito. No ano passado, a SSP-DF registrou 706 ocorrências de injúria racial, com a maioria concentrada em 10 regiões administrativas do DF:

  • Brasília: 107
  • Ceilândia: 79
  • Taguatinga: 55
  • Samambaia: 47
  • Planaltina: 42
  • Gama: 37
  • Guará: 34
  • Recanto das Emas: 30
  • São Sebastião: 28
  • Santa Maria: 26

De acordo com a SSP-DF, em 2024, os locais em que mais ocorreram injúrias raciais foram residências, com 15,6%; vias públicas, com 13,3%; e escolas, com 10,9%.

Nos estabelecimentos comerciais, a maior incidência aconteceu em bares, com 17%, e em shoppings, lojas e supermercados, com 16%.