Na Mira

“Cabelo de bucha”: DF teve 706 registros de injúria racial em 2024

Nesta semana, uma menina de 11 anos sofreu injúria racial cometido por outras estudantes de uma escola pública no Riacho Fundo II (DF)

atualizado

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Oladimeji Odunsi/ Unslash
Uma menina de 11 anos sofreu injúria racial cometido por outras estudantes de uma escola pública no Riacho Fundo II (DF)
1 de 1 Uma menina de 11 anos sofreu injúria racial cometido por outras estudantes de uma escola pública no Riacho Fundo II (DF) - Foto: Oladimeji Odunsi/ Unslash

No ano passado, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) registrou 706 casos de injúria racial, a maioria acontecendo em Brasília.

As 10 regiões administrativas com maior número de registros concentram 69% dos casos. Confira:

  • Brasília: 107
  • Ceilândia: 79
  • Taguatinga: 55
  • Samambaia: 47
  • Planaltina: 42
  • Gama: 37
  • Guará: 34
  • Recanto das Emas: 30
  • São Sebastião: 28
  • Santa Maria: 26

A injúria racial é um crime que consiste em ofender a honra de alguém por meio de elementos ligados à raça, cor, etnia, religião ou origem.

Com a alteração da Lei nº 7.716/89, esse tipo de violência passou a ser equiparado ao crime de racismo — uma conquista histórica, ainda que infelizmente necessária, como demonstram casos recentes.

Nessa quarta-feira (2/7), uma menina de 11 anos foi vítima de ofensas racistas em uma escola pública do Riacho Fundo II. Essa região administrativa ocupa a 25ª posição no ranking da SSP-DF, com 11 casos registrados no ano passado.


Entenda o caso:

  • As agressões verbais — de cunho claramente racista — causaram forte impacto emocional na criança, que precisou de atendimento médico após apresentar uma crise de ansiedade e um ataque de pânico.
  • Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados e compareceram à escola para prestar socorro à estudante.
  • A coluna Na Mira apurou que três alunas, com idades entre 12 e 14 anos, passaram a ofender sistematicamente a vítima com comentários humilhantes sobre o cabelo dela.
  • Segundo a irmã da aluna — que terá a identidade preservada —, o grupo agia com o objetivo de destruir a autoestima da menina.
  • “Elas acabaram com o amor próprio da minha irmã, sempre a chamando de ‘cabelo de bucha’, ‘cabelo de pica’ e de preta nojenta”, relatou.
  • A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A Secretaria de Educação trata o episódio como gravíssimo.

Vídeo:

Investigação e punição

A irmã da vítima também contou que a criança foi ameaçada de espancamento após relatar os ataques à direção da escola. “Os pais delas foram chamados, o que provocou a ira da aluna mais velha, de 14 anos. Ela afirmou que se vingaria e chamaria outras garotas para espancar minha irmã na saída da aula”, disse.

Ao tomar conhecimento do caso, a Secretaria de Educação confirmou as agressões e decidiu transferir as estudantes envolvidas para outras unidades escolares. A vítima foi acolhida e, por decisão da família, também mudou de escola. A Corregedoria da pasta abriu sindicância para investigar se houve omissão ou negligência por parte da gestão da unidade.

Servidores da Secretaria de Educação acompanharam a família até a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA II), onde foi registrada ocorrência de ato infracional análogo a injúria racial e ameaça. A Polícia Civil do DF segue investigando o caso.

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