Na Mira

“Não morre, papai”: menina de 4 anos pulou sobre corpo do pai após execução

Menina de 4 anos correu até o corpo de Alexandre de Oliveira após os disparos e gritou: “Não morre, papai”; Justiça decretou a prisões

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Hugo Barreto/Metrópoles
Arma de fogo – Homicidio – assassinato
1 de 1 Arma de fogo – Homicidio – assassinato - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Uma das cenas mais marcantes descritas em uma recente decisão da Justiça do Rio de Janeiro, em maio deste ano, é também uma das mais dolorosas. Após presenciar o assassinato do próprio pai, uma menina de apenas quatro anos correu em direção ao corpo da vítima, se jogou sobre ele e, em meio ao desespero, passou a implorar para que ele sobrevivesse.

“Não morre, papai, não morre”, teria gritado a criança ao abraçar o corpo de Alexandre de Oliveira Silva, segundo relato prestado pela mãe da criança às autoridades. O crime ocorreu na tarde de 5 de junho de 2024, em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, mas voltou a ganhar repercussão após a Justiça receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público e determinar a prisão preventiva dos acusados.

A decisão judicial destaca a gravidade dos fatos e aponta que Alexandre foi morto diante da companheira e dos filhos em uma ação com características de execução. De acordo com o depoimento da companheira da vítima, Alexandre mantinha desentendimentos antigos com um dos denunciados. A mulher relatou que, em 4 de maio de 2024, o marido esteve na residência do suspeito e acabou se envolvendo em uma nova discussão.

Ataque

Durante o conflito, ela afirmou ter ouvido ameaças direcionadas à vítima. Segundo seu depoimento, o homem teria declarado que resolveria um problema que existia entre eles havia muito tempo. A testemunha também relatou que outro indivíduo presente no local participou das intimidações. Assustada com a situação, ela pediu para que Alexandre deixasse o imóvel e evitasse qualquer confronto. Ainda conforme o relato, o marido respondeu que, se algo lhe acontecesse, preferia estar em sua própria casa.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o assassinato ocorreu por volta das 18h do dia seguinte. Naquele momento, Alexandre estava em frente à residência, varrendo a calçada e acompanhado pelos filhos. A companheira encontrava-se no quintal recolhendo roupas do varal quando ouviu os primeiros disparos.

Em depoimento, a mulher afirmou ter visto homens armados efetuando vários tiros contra a vítima. Após atingirem Alexandre, os criminosos teriam apontado armas também em sua direção. De acordo com a testemunha, a ação só não prosseguiu porque integrantes do próprio grupo alertaram para a presença das crianças, o que fez os suspeitos desistirem de atirar contra ela.

Desespero da filha

Entre os elementos reunidos pela investigação, o relato envolvendo a filha mais nova da vítima foi destacado pela própria decisão judicial. Segundo a mãe das crianças, três filhos do casal testemunharam toda a sequência do crime. Logo após Alexandre cair atingido pelos disparos, Alice, então com quatro anos, correu em direção ao pai.

A criança se lançou sobre o corpo e começou a pedir para que ele não morresse. A cena foi descrita pelas autoridades como um dos momentos mais impactantes dos depoimentos colhidos durante a investigação.

A decisão judicial também menciona as dificuldades enfrentadas pelos investigadores para ouvir testemunhas. Segundo informações reunidas pela Polícia Civil, moradores da região demonstraram receio em colaborar com as investigações por medo de represálias. O clima de intimidação teria dificultado a coleta de informações e o avanço das diligências.

A companheira de Alexandre declarou não ter dúvidas sobre a identidade dos autores do homicídio e afirmou que diversas pessoas da localidade saberiam quem são os responsáveis, mas evitariam prestar informações às autoridades por temor de sofrer ameaças.

Prisão preventiva

Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para justificar a continuidade da ação penal. Na decisão, o juiz destacou a extrema gravidade do crime, cometido com disparos de arma de fogo em via pública e na presença da família da vítima, incluindo crianças de pouca idade.

O magistrado também ressaltou a necessidade de preservar a ordem pública e garantir o regular andamento do processo, considerando o temor demonstrado por testemunhas e moradores da região. Outro ponto mencionado na decisão é que Alexandre já havia registrado anteriormente uma ocorrência relacionada a uma suposta tentativa de homicídio.

Diante dos elementos reunidos pela investigação, a Justiça recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público e decretou a prisão preventiva dos acusados, que responderão por homicídio qualificado enquanto o processo segue em tramitação.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações