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Na Mira

MPF lamenta morte de Bruno e Dom e faz alerta sobre violência no AM

Os dois estavam desaparecidos desde 5 de junho e foram encontrados mortos nessa quarta-feira (15)

16/06/2022 16:45, atualizado 16/06/2022 17:10
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Divulgação/Polícia Federal
Imagem colorida mostra busca dos corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira em terra indígena do Vale do Javari - Metrópoles

A Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6ªCCR/MPF) emitiu, nesta quinta-feira (16/6), nota de pesar lamentando as mortes do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Os dois estavam desaparecidos desde 5 de junho e foram encontrados sem vida nessa quarta-feira (15/6), no Vale do Javari (AM).

“É do conhecimento deste órgão e da sociedade brasileira o acirramento das ameaças à integridade física e territorial dos povos indígenas brasileiros, situação esta especialmente grave na TI [terra indígena] Vale do Javari, território de diversos povos indígenas e que abriga a maior concentração de grupos em situação de isolamento voluntário do planeta”, alertou o órgão.

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Segundo a coluna revelou, a motivação do assassinato dos dois homens teria sido a pesca ilegal do pirarucu na região. O peixe é uma das carnes mais apreciadas do país, especialmente na Região Norte. A reserva indígena no Vale do Javari frequentemente é invadida por pescadores irregulares. Criminosos faturam cerca de R$ 100 por cada quilo de pescado vendido.

“Nesse contexto adverso, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips acompanhavam atividades da Equipe de Vigilância da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), ocasião em que foram vítimas de um crime brutal e covarde, perpetrado com o objetivo de calar suas vozes e impedir suas ações incansáveis na defesa dos territórios indígenas”, lembrou o MPF.

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Contudo, nesse percurso, os dois desapareceram. As equipes de vigilância indígena da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) fizeram as primeiras buscas, sem resultados
Segundo Pelado, a perseguição à lancha na qual Bruno e Dom estavam durou cerca de 5 minutos. Jeferson Lima, outro envolvido no crime, teria atirado contra Bruno, que revidou com tiros
Os suspeitos, então, teriam retirado os pertences pessoais das vítimas do barco em que estavam e o afundaram. Em seguida, queimaram os corpos de Dom e Bruno
O governo do Amazonas criou uma força-tarefa para auxiliar na busca dos desaparecidos e na investigação do caso
A região em que ocorreu o desaparecimento é de difícil acesso e faz fronteira com o Peru
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Arquivo pessoal
Contudo, nesse percurso, os dois desapareceram. As equipes de vigilância indígena da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) fizeram as primeiras buscas, sem resultados
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Contudo, nesse percurso, os dois desapareceram. As equipes de vigilância indígena da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) fizeram as primeiras buscas, sem resultados

Divulgação
Segundo Pelado, a perseguição à lancha na qual Bruno e Dom estavam durou cerca de 5 minutos. Jeferson Lima, outro envolvido no crime, teria atirado contra Bruno, que revidou com tiros
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Segundo Pelado, a perseguição à lancha na qual Bruno e Dom estavam durou cerca de 5 minutos. Jeferson Lima, outro envolvido no crime, teria atirado contra Bruno, que revidou com tiros

Divulgação/Funai
Os suspeitos, então, teriam retirado os pertences pessoais das vítimas do barco em que estavam e o afundaram. Em seguida, queimaram os corpos de Dom e Bruno
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Os suspeitos, então, teriam retirado os pertences pessoais das vítimas do barco em que estavam e o afundaram. Em seguida, queimaram os corpos de Dom e Bruno

Redes sociais/reprodução
O governo do Amazonas criou uma força-tarefa para auxiliar na busca dos desaparecidos e na investigação do caso
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O governo do Amazonas criou uma força-tarefa para auxiliar na busca dos desaparecidos e na investigação do caso

Erlon Rodrigues/PC-AM
A região em que ocorreu o desaparecimento é de difícil acesso e faz fronteira com o Peru
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A região em que ocorreu o desaparecimento é de difícil acesso e faz fronteira com o Peru

Arte/Metrópoles
Alvo da cobiça de garimpeiros, o Vale do Javari é usado como rota para tráfico de cocaína
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Alvo da cobiça de garimpeiros, o Vale do Javari é usado como rota para tráfico de cocaína

Adam Mol/Funai/Reprodução
Em 19 de junho, a polícia informou ter identificado outros cinco suspeitos que teriam atuado na ocultação dos cadáveres. Segundo a PF, “os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”
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Em 19 de junho, a polícia informou ter identificado outros cinco suspeitos que teriam atuado na ocultação dos cadáveres. Segundo a PF, “os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”

Reprodução/Twitter/@andersongtorres
Dom Phillips, 57 anos, era colaborador do jornal britânico The Guardian. Ele se mudou para o Brasil em 2007 e morava em Salvador, com a esposa
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Dom Phillips, 57 anos, era colaborador do jornal britânico The Guardian. Ele se mudou para o Brasil em 2007 e morava em Salvador, com a esposa

Twitter/Reprodução

Leia a nota completa do Ministério Público Federal:

“A Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6ªCCR/MPF), por seus membros e servidores, manifesta profundo pesar ante a confirmação das mortes do indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira e do jornalista Dominic Phillips, na região do Vale do Javari no estado do Amazonas, ocasião em que vem a público manifestar-se nos seguintes termos:

1. É do conhecimento deste órgão e da sociedade brasileira o acirramento das ameaças à integridade física e territorial dos povos indígenas brasileiros, situação esta especialmente grave na TI Vale do Javari, território de diversos povos indígenas e que abriga a maior concentração de grupos em situação de isolamento voluntário do planeta.

2. Nesse contexto adverso, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips acompanhavam atividades da Equipe de Vigilância da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), ocasião em que foram vítimas de um crime brutal e covarde, perpetrado com o objetivo de calar suas vozes e impedir suas ações incansáveis na defesa dos territórios indígenas.

3. O Estado brasileiro não pode tolerar atos de violência contra defensores de direitos humanos. É certo que outros homens e mulheres que atuam na proteção dos direitos dos povos indígenas encontram-se sob ameaça, o que impõe a adoção imediata de medidas de proteção e garantia da integridade física desses agentes.

4. Cientes da gravidade da situação, da dor e angústia de familiares e amigos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, expressamos nossa solidariedade ao tempo que reafirmamos o compromisso do Ministério Público Federal de continuar acompanhando e agindo em conformidade com suas atribuições, na busca da completa elucidação dos fatos e da garantia dos direitos indígenas.”