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Na Mira

Kimonos e inscrições eram armadilha de professor para abusar de alunas

De acordo com a apuração da polícia, o professor chegou a obrigar uma das jovens a se encontrar com um empresário e produzir conteúdo sexual

06/07/2026 15:48
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Reprodução
professor de jiu-jiísu preso

Promessas de fornecimento de kimonos e o pagamento de inscrições em campeonatos eram as principais armadilhas utilizadas pelo professor de jiu-jítsu Carlos Vieira Holanda para atrair alunas adolescentes, de acordo com as investigações da Polícia Civil do Amazonas (PCAM). Segundo as apurações, o suspeito usava esse pretexto esportivo para conduzir as vítimas a ambientes inadequados, como hotéis, onde os abusos sexuais eram consumados.

Após passar mais de um mês foragido, o investigado foi preso na manhã desta segunda-feira (6/7) por agentes da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). Ele é alvo de um inquérito que apura os crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e exploração sexual.

Até o momento, pelo menos sete alunas adolescentes foram identificadas como vítimas, mas as autoridades acreditam que o número real de jovens atingidas possa ser ainda maior.

Exploração sexual e “patrocinadores”

A investigação da DEPCA revelou que o esquema ultrapassava os abusos cometidos pelo próprio docente. Holanda também atuava na exploração sexual das adolescentes, intermediando o contato delas com supostos patrocinadores em troca de vantagens financeiras.

De acordo com as investigações, o professor chegou a obrigar uma das jovens a se encontrar com um empresário e produzir conteúdo sexual, visando obter benefícios com apoiadores do esporte. O investigado costumava oferecer as vítimas sinalizando a existência de “meninas novas” no circuito, referindo-se a adolescentes recém-chegadas à modalidade.

As sete adolescentes relataram que só encontraram coragem para denunciar o professor após a recente repercussão de outros casos de violência sexual no meio esportivo. Para manter o controle, Holanda utilizava seu status e influência no esporte para intimidar as vítimas. Ele minimizava a gravidade dos atos e tentava convencer as jovens de que as condutas não eram criminosas.

Importância da denúncia

A PCAM reforçou a importância de que outras possíveis vítimas procurem a delegacia para registrar o fato. A instituição enfatizou, ainda, que a conduta do homem trata-se de um caso isolado e que o ocorrido não deve demonizar o jiu-jítsu, que permanece sendo um ambiente saudável.

Carlos Vieira Holanda estava com mandado de prisão em aberto e tinha sua fotografia divulgada pelas forças de segurança desde o fim de maio. A captura ocorreu por volta das 6h de hoje, na residência do suspeito, após uma tentativa frustrada de fuga.

Para tentar evitar a ação policial, o homem havia modificado a estrutura do imóvel, criando saídas estratégicas. No momento da abordagem, ele pulou para a laje da casa, onde havia instalado tábuas para facilitar a evasão pelos telhados vizinhos. Contudo, o cerco montado pela DEPCA já havia mapeado o terreno e posicionado agentes em pontos estratégicos, impedindo a fuga.

Ocultação do foragido

Um homem que estava na residência tentou correr para alertar o professor sobre a chegada dos policiais, mas foi contido. Todas as pessoas que auxiliaram na ocultação do foragido também serão formalmente investigadas.

Ao ser conduzido à sede da especializada, o professor optou pelo direito constitucional de permanecer em silêncio no depoimento formal. Informante aos agentes, ele limitou-se a alegar inocência, mas preferiu não responder quando questionado sobre o motivo de ter fugido se não devia nada à Justiça