Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Na Mira

Influenciadores torram milhões com "cachê da desgraça alheia". Entenda

Os influencers levam um percentual a partir da perda dos seus apostadores que se cadastram na plataforma com os links divulgados por eles

07/08/2025 14:21, atualizado 07/08/2025 14:50
Reprodução/ Redes Sociais
Influencers alvo de operação no Rio de Janeiro por envolvimento no Jogo do Tigrinho - Metrópoles

A “cláusula de desgraça alheia”, também conhecida como “cachê da desgraça alheia”, é uma expressão usada para descrever contratos de influenciadores digitais com empresas de apostas on-line. Essa era uma das fontes de renda dos 14 influenciadores alvos da Operação Desfortuna, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), nesta quinta-feira (7/8).

O grupo teria movimentado mais de R$ 4 bilhões com o chamado Jogo do Tigrinho. O esforço é mínimo, mas a grana entra fácil na contas dos influenciadores, segundo as investigações de policiais da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD). Alguns deles faturam alto com o que ficou conhecido como “cláusula da desgraça alheia”, onde levam um percentual a partir da perda dos seus apostadores que se cadastram na plataforma com os links divulgados por quem deveria influenciar positivamente na vida dos seguidores.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Segundo a polícia, o grupo investigado movimentou R$ 40 milhões nos últimos dois anos com a divulgação dos jogos de azar. Com os ganhos, os influenciadores gostavam de ostentar em viagens internacionais, jatinhos, carros de luxo e mansões.

Veja imagens dos alvos da operação:

Influenciadores torram milhões com “cachê da desgraça alheia”. Entenda - destaque galeria
6 imagens
Gato Preto
DJ Buarque
Mauricio Martins Junior, conhecido como Maumau
Apreensões na casa de Maumau
Operação Desfortuna
Bia Miranda
1 de 6

Bia Miranda

Reprodução / Redes sociais
Gato Preto
2 de 6

Gato Preto

Reprodução / Redes sociais
DJ Buarque
3 de 6

DJ Buarque

Reprodução / Redes sociais
Mauricio Martins Junior, conhecido como Maumau
4 de 6

Mauricio Martins Junior, conhecido como Maumau

Reprodução / Redes sociais
Apreensões na casa de Maumau
5 de 6

Apreensões na casa de Maumau

Reprodução / Redes sociais
Operação Desfortuna
6 de 6

Operação Desfortuna

Reprodução / Redes sociais

Faturamento ilícito

O valor tem como base relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram transações ligadas a um esquema de promoção ilegal de jogos de azar on-line, com indícios de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Entenda o caso:

  • A operação ocorre na manhã desta quinta-feira (7/8), nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
  • De acordo com a PCERJ, os investigados publicavam conteúdos nas redes com promessas falsas de lucros fáceis, atraindo seguidores para as plataformas ilegais.
  • Os influenciadores fariam parte de uma estrutura organizada, com funções bem definidas entre divulgadores, operadores financeiros e empresas de fachada.
  • A investigação também é uma parceria com o Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA) e o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD).

Enriquecimento ilícito e movimentações milionárias

Durante o inquérito, os policiais identificaram sinais de enriquecimento incompatível com a renda declarada pelos influenciadores. Eles ostentavam, nas redes sociais, viagens internacionais, veículos de luxo e imóveis de alto valor.

Além da divulgação dos jogos ilegais, os envolvidos são suspeitos de usar uma rede empresarial para ocultar a origem ilícita dos valores obtidos, o que caracteriza lavagem de dinheiro.

As investigações também identificaram conexões entre alguns influenciadores e pessoas com antecedentes ligados ao crime organizado, o que aumenta o nível de complexidade do caso.

O influenciador digital Mauricio Martins Junior, conhecido como Maumau, foi preso em flagrante nesta quinta-feira (7/8) após policiais civis encontrarem uma arma.

A coluna Na Mira tenta localizar defesa os alvos da Operação Desfortuna. O espaço segue aberto para posicionamentos.