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Hackers furtaram senhas de servidoras para forjar mandado contra Lula. Veja vídeo
CNJ foi alvo de uma tentativa de fraude com emissão de mandados falsos de prisão contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes
atualizado
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O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) informou que tomou conhecimento da subtração e do uso indevido de credenciais digitais de duas servidoras do Judiciário. Foi instaurada uma investigação preliminar, conduzida pela Divisão de Inteligência Institucional do TJGO, que identificou indícios de acessos não autorizados, criação de processos fictícios e inserção de dados falsos em sistemas judiciais. As credenciais de um policial penal de Minas Gerais também foram utilizadas na fraude, segundo a polícia.
Vídeo da Operação Lex Data:
Com as senhas das servidoras, os criminosos fraudaram sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Poder Judiciário de Goiás, com o objetivo de criar mandados de prisão falsos. De acordo com a delegada Sabrina Leles, do Núcleo de Inteligência do TJGO, com a credencial de apenas uma das servidoras, os hackers realizaram 112 alterações e exclusões de mandados. No entanto, todas as ações foram identificadas a tempo, antes que pudessem causar maiores consequências.
Um adolescente do Distrito Federal é apontado como principal envolvido no caso. A investigação também revelou que os hackers tentaram emitir “mandados” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além das fraudes, segundo a investigação, os criminosos vendiam documentos sigilosos e disponibilizam os arquivos na dark web.
Fraude em sistema do CNJ beneficiou alvos do CV e PCC
De acordo com o delegado Marceleandro Silva, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), entre as fraudes provocadas pelos hackers no sistema, destaca-se a exclusão de mandados de prisão de alvos considerados prioritários no estado.
A investigação constatou que, nos registros do sistema, os mandados apareciam como cumpridos, embora os alvos permanecessem em liberdade. Entre eles estavam integrantes de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os alvos beneficiados pelas falhas estão:
- Ane “Caio Casais”, apontado como responsável pela lavagem de dinheiro do Comando Vermelho em Minas Gerais e no Mato Grosso;
- Douglas, conhecido como Mancha, uma das lideranças do Comando Vermelho em Minas Gerais, atualmente foragido na Bolívia;
- Adilson Daghi, o Ti, integrante do PCC, apontado como responsável pelo planejamento e pela execução do assassinato do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, o “Machadinha”, ocorrido em 14 de março de 2003.
Entenda o caso:
- A operação Lex Data ocorre na manhã desta quinta-feira (5/2), com buscas em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Santa Catarina.
- Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, com apoio das Polícias Civis dessas regiões.
- A ação é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), com o Núcleo de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Goiás.
Alterações irregulares no BNMP
Segundo a corporação, o adolescente responsável pelas fraudes já havia sido identificado pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) em julho de 2025.
As investigações apuraram que criminosos inseriram mandados de prisão falsos no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) e em processos digitais do Projudi/TJGO. As fraudes incluíam documentos forjados que simulavam decisões judiciais.
Com isso, os criminosos tentaram manipular o sistema do CNJ para emitir mandados de prisão contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O CNJ identificou alterações irregulares no BNMP, que envolveram a troca e a substituição de dados de um mandado judicial por informações vinculadas às autoridades.
Houve, inclusive, a inserção dos CPFs de Lula e Moraes. Apesar disso, os criminosos não conseguiram concluir a emissão dos mandados de prisão falsos.
Imagens:
Uso indevido de credenciais
- De acordo com a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC/Decor), os envolvidos utilizaram indevidamente senhas de servidores públicos.
- Com isso foi possível a realização irregular de consultas, o cumprimento ilícito de mandados de prisão no sistema judicial.
- Além da tentativa de emissão forjada de mandados contra terceiros — fatos de extrema gravidade.
- A corporação reforçou o uso indevido de credenciais, e não da invasão do sistema.
- Levantamentos técnicos indicaram que terceiros, passaram a utilizar senhas funcionais de servidores públicos para manipular informações sensíveis.
- Ação que compromete a legalidade dos atos processuais e a regularidade do funcionamento do Sistema de Justiça.
A coluna Na Mira entrou em contato com o CNJ, o STF e a Presidência da República. O espaço segue aberto para manifestações.




