Grupo instalou aparelho nas redes do Detran e Na Hora para remover multas.
As prisões foram feitas na 4ª fase da Operação Código Fantasma; grupo instalava equipamentos clandestinos para conseguir os acessos

A investigação conduzida por policiais civis da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) revelou que criminosos instalavam roteadores MikroTik nas redes internas do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e do Na Hora para obter acesso remoto aos sistemas e realizar alterações ilícitas. Ao menos oito equipamentos foram apreendidos em várias unidades de atendimento.
Com os dispositivos, o grupo conseguia acessar os sistemas e promover desvinculação de débitos, cancelamento irregular de multas de trânsito, transferências ilegais de veículos e outras transações fraudulentas.
Vídeo da operação:
Um dos presos é apontado como líder do núcleo responsável pela instalação dos dispositivos. Segundo o delegado, ele adquiria os equipamentos e era responsável por comandar a instalação. Segundo o delegado, ele já estudava instalar dispositivos semelhantes em outras instituições, inclusive bancos, mas ele não quis falar mais sobre o assunto.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO suspeito tem passagens por roubo de carga, estelionato e organização criminosa, e inclusive, já fugiu de um presídio em São Paulo, o delgado não soube informar a data. Ele possui mais de 11 indiciamentos por organização criminosa no DF, além de outros crimes.
Operação
Deflagrada nesta sexta-feira (28/8), a 4ª fase da Operação Código Fantasma resultou na prisão preventiva de quatro homens, de 33, 39, 45 e 47 anos. Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em Taguatinga Norte, Recanto das Emas, Candangolândia e Vicente Pires.
A Justiça também determinou o sequestro de bens móveis e imóveis ligados à organização criminosa, além do bloqueio de contas bancárias em nome dos investigados para evitar a dissipação de valores.
O líder do grupo tentou fugir durante a abordagem. Segundo a polícia, ele jogou dispositivos eletrônicos no vaso sanitário da residência na tentativa de destruir provas.
Segundo o delegado João Guilherme, da DRCC, os equipamentos permitiam que os criminosos acessassem remotamente os sistemas. Pessoas que tinham facilidade de acesso às unidades públicas teriam auxiliado na instalação dos dispositivos. Até o momento, segundo a investigação, não foi identificada participação de servidores do Detran-DF no esquema.
“Pessoas que tinham facilidade de acesso às unidades ajudavam na instalação”, destacou o delegado.
Ainda de acordo com João Guilherme, em outras operações, foi constatado que os hackers cobravam aproximadamente 50% do valor cobrado pelo Detran. Por exemplo, se um veículo tinha R$ 2 mil em multas, os criminosos cobravam R$ 1 mil para retirá-las.
De acordo com a polícia, além do prejuízo econômico, as alterações provocavam impactos sociais. As irregularidades identificadas foram detectadas pelo Detran-DF, que posteriormente desfez as modificações.
A instalação dos equipamentos MikroTik teria aumentado após o aprimoramento das medidas de segurança cibernética adotadas pelo Detran-DF para corrigir vulnerabilidades no sistema.
Durante a operação, os policiais também apreenderam joias, uma arma de fogo e diversos dispositivos eletrônicos, que serão encaminhados para perícia.
Imagens:

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Ver todasA coluna Na Mira tenta localizar defesa dos investigados. O Detran-DF e o Na Hora também foram procurados. O espaço segue aberto para posicionamentos.
Oito operações
- Segundo a DRCC, a unidade já deflagrou oito operações contra grupos criminosos que tentavam invadir e realizar alterações no sistema do Detran-DF.
- A polícia classifica o grupo investigado como uma organização sofisticada e estruturada, com divisão planejada de tarefas.
- A investigação desta quarta fase tem como foco uma célula especializada na instalação dos equipamentos MikroTik, que integraria uma organização criminosa de maior dimensão.
- A DRCC também destaca as quatro fases da Operação By Pass, que resultaram na prisão de alguns dos principais hackers investigados por invasões ao sistema do Detran-DF.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, estelionato qualificado pelo meio eletrônico e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes podem chegar a 32 anos de reclusão. Outros crimes poderão ser atribuídos aos envolvidos conforme o avanço das investigações.
As investigações continuam com o objetivo de identificar todos os integrantes do grupo e esclarecer a estrutura e a atuação da organização criminosa maior.
















