Na Mira

Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares

Os criminosos escondiam os entorpecentes para evitar suspeitas; prática foi descoberta em operação da Polícia Civil do DF

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
foto-operacao-eiron-pcdf
1 de 1 foto-operacao-eiron-pcdf - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Escondidos em embalagens de fast-food entorpecentes eram entregues como se fossem pedidos comuns no Distrito Federal. A estratégia, identificada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), revela o nível de sofisticação de uma organização criminosa desarticulada durante a Operação Eiron, que atuava em regiões como Samambaia e Ceilândia. As drogas também eram escondidos dentro de fardas do Exército.

Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - destaque galeria
2 imagens
Fardas militares eram usadas para a prática
Os criminosos tentavam disfarçar o tráfico de drogas
1 de 2

Os criminosos tentavam disfarçar o tráfico de drogas

Material cedido ao Metrópoles
Fardas militares eram usadas para a prática
2 de 2

Fardas militares eram usadas para a prática

Material cedido ao Metrópoles

A operação foi deflagrada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) e mobilizou cerca de 200 policiais para cumprir 39 mandados judiciais — 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. A ação foi desencadeada após meses de investigação, iniciados em outubro de 2025.

O objetivo central foi desarticular uma organização criminosa armada envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região da QR 421 e áreas adjacentes.

De acordo com a corporação, os criminosos utilizavam redes sociais para divulgar “cardápios” de entorpecentes, negociavam por aplicativos de mensagens e realizavam entregas no modelo delivery. A estratégia permitia que a droga circulasse sem levantar suspeitas, misturada à rotina de entregas de alimentos.

Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - destaque galeria
8 imagens
A ação mobilizou um contingente de 200 policiais
O objetivo é desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas e falsa rede de proteção comunitária
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 4
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 5
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 6
A Operação Eiron foi deflagrada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte)
1 de 8

A Operação Eiron foi deflagrada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte)

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A ação mobilizou um contingente de 200 policiais
2 de 8

A ação mobilizou um contingente de 200 policiais

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O objetivo é desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas e falsa rede de proteção comunitária
3 de 8

O objetivo é desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas e falsa rede de proteção comunitária

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 4
4 de 8

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 5
5 de 8

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 6
6 de 8

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 7
7 de 8

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Facção escondia droga em embalagens de fast-food e em fardas militares - imagem 8
8 de 8

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Para despistar a fiscalização, os entorpecentes eram escondidos em embalagens de fast-food, simulando pedidos comuns. Entre as substâncias comercializadas estavam crack, cocaína, haxixe (“dry”), maconha em versões como “skunk” e “ice”, além de lança-perfume.

Além da atuação em meios digitais, o grupo também operava fisicamente por meio de comércios de fachada. Em uma padaria, a mesma balança usada para pesar pães era utilizada para fracionar drogas.

A descoberta foi feita em um dos estabelecimentos comerciais utilizados como fachada pelo grupo, evidenciando como atividades aparentemente legais eram usadas para ocultar práticas ilícitas no coração das comunidades de Samambaia e Ceilândia.

A padaria não era um caso isolado. As investigações apontaram que a organização mantinha uma rede de estabelecimentos, incluindo distribuidoras de bebidas e quiosques, que funcionavam como pontos estratégicos para armazenamento, fracionamento e venda de entorpecentes.

O uso desses locais permitia ao grupo operar com aparência de legalidade, dificultando a ação policial e reduzindo suspeitas. Enquanto clientes compravam produtos comuns, o tráfico acontecia de forma paralela e silenciosa.

Os lucros eram posteriormente lavados por meio de transferências via Pix para contas de terceiros, os chamados “laranjas”, criando uma camada adicional de ocultação financeira.

“Assistencialismo” do crime

Paralelamente ao tráfico, a organização investia em ações sociais para conquistar apoio da comunidade. Inspirados no modelo de facções como o Terceiro Comando Puro (TCP), os criminosos promoviam festas, distribuíam cestas básicas e ofereciam alimentos em datas comemorativas.

Essas ações, financiadas com recursos do narcotráfico, tinham como objetivo comprar o silêncio da população e dificultar denúncias, criando uma falsa imagem de benevolência. Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a presença da Estrela de Davi pintada em casas e muros de Samambaia. O símbolo é associado ao Terceiro Comando Puro e ao criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”.

A marcação indica tentativa de domínio territorial e possível aproximação com a facção carioca, sugerindo a importação de práticas comuns nas favelas do Rio de Janeiro para o Distrito Federal.

Violência extrema

Apesar da aparência de normalidade nos comércios e das ações sociais, a investigação revelou um cenário de extrema violência. Integrantes do grupo foram flagrados ostentando armas de grosso calibre e praticando agressões severas.

Em um dos casos, um usuário de drogas foi brutalmente espancado, evidenciando a atuação do chamado “tribunal do crime”. Em fevereiro de 2026, um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá, em circunstâncias ainda sob investigação.

Os envolvidos responderão por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de prisão.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?