Saiba qual é a padaria do DF usada por facção para tráfico de drogas. Veja vídeo
Operação Eiron desmantelou rede de comércios de fachada usada pelo tráfico. Na padaria, mesma balança que pesava pães era usada para drogas

Após investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, uma operação da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) desmantelou, nesta quarta-feira (6/5), uma organização criminosa ligada à facção carioca Terceiro Comando Puro (TCP). O grupo utilizava comércios como fachada para o tráfico de drogas. Entre os estabelecimentos identificados, está a padaria Bella Massa, em Samambaia (DF), onde a mesma balança usada para pesar pães e outros produtos também era utilizada para pesar drogas.
À coluna Na Mira, a pessoa responsável pela Empresa Bella Massa disse: “Nunca foi ponto de drogas. Estou surpreso”. A defesa dos investigados nega os crimes. (Veja nota ao final da matéria)
Cardápio de drogas
A padaria não era o único ponto utilizado. O grupo também operava por meio de distribuidoras de bebidas e quiosques. As drogas eram comercializadas pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, com uso de “cardápios” que estruturavam um esquema de delivery. As drogas ofertadas eram: crack, cocaína, lança-perfume, haxixe (“dry”) e maconha em diferentes variações, como “skunk” e “ice”.
Para despistar suspeitas, parte das entregas era feita em embalagens de delivery do McDonald’s, estratégia que dificultava o rastreamento. Os pagamentos, segundo as investigações, eram pulverizados por meio de transferências via Pix para contas bancárias de terceiros, conhecidos como “laranjas”.
Vídeo:
Liderança pelo medo
Na tentativa de se aproximar da comunidade e manter o controle territorial, a organização promovia eventos e financiava festas em datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia das Crianças. Com isso, buscava assumir o papel de falsa provedora e mascarar a violência imposta à vizinhança.
As investigações flagraram integrantes ostentando armas de fogo de grosso calibre e realizando a limpeza de armamentos dentro de veículos.
Em um dos locais utilizados pela organização, foi constatado que um usuário de drogas foi brutalmente espancado durante a madrugada, evidenciando as punições severas impostas pelo chamado “tribunal do tráfico” a quem ameaçasse os interesses do grupo.
Esse contexto de violência também atingiu um dos próprios investigados. Em fevereiro deste ano, durante o curso das apurações, o corpo de um dos alvos foi encontrado boiando no Lago Paranoá.
As circunstâncias da morte ainda estão sendo investigadas, mas o episódio reforça a periculosidade e a dinâmica violenta associadas ao grupo.
Mais detalhes:
- As supostas ações filantrópicas integravam uma estratégia para ocultar a violência e a opressão impostas à comunidade.
- Coordenada pela 26ª DP, a Operação Eiron contou com o apoio das Delegacias de Polícia Circunscricionais da PCDF, além do DOE, DOA, Canil e DALOP.
- No total, foram mobilizados cerca de 200 policiais para o cumprimento de 39 mandados judiciais.
- Também foram cumpridos 25 de busca e apreensão e 14 de prisão preventiva, nas regiões administrativas de Samambaia e Ceilândia.
Os envolvidos responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de reclusão.
O outro lado
A advogada Ariane Rodrigues Silva, que representa os investigados na operação Eiron informou ao Metrópoles que “não houve apreensão de drogas, armas, valores ou quaisquer outros objetos ilícitos” nos endereços ligados aos investigados e também não “foi localizada qualquer evidência material capaz de vinculá-los diretamente às práticas delituosas narradas”
A defesa negou que os investigados constituam organização criminosa e destacou que as investigações ainda estão em curso e sem qualquer condenação judicial.
“As prisões realizadas apresentam relevantes indícios de ilegalidade, questão que será oportunamente submetida à apreciação do Poder Judiciário por meio das medidas processuais cabíveis”, informou a defesa em nota.


















