Extratos fake e Pix sorrateiro: mulher vira ré por desviar R$ 130 mil dos avós
Responsável pelas finanças dos avós, a acusada aproveitou-se da relação para ocultar informações bancárias do casal e manipular documentos

A Justiça do Distrito Federal tornou ré uma mulher suspeita de desviar dinheiro e bens dos próprios avós, ambos de 87 anos, no Distrito Federal. A investigada, identificada como Thainah Ohana dos Santos Maia, 34 anos, é acusada de afanar ao menos R$ 130 mil dos familiares.

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Ver todasA denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), à qual a coluna Na Mira teve acesso, ressalta que a suspeita, responsável pelo controle financeiros dos avós, aproveitou-se da idade avançada e da relação de confiança familiar para ocultar informações bancárias do casal e até utilizar documentos falsos para enganar as vítimas.
Além disso, Thainah também está sendo investigada pelo exercício ilegal da profissão de nutricionista. Segundo MPDFT, a ré não possui diploma na área e ainda utilizava um registro no Conselho Regional de Nutricionista (CRN) de uma outra pessoa, com o nome inicial semelhante ao seu.
O Metrópoles tenta contato com a acusada para prestar esclarecimentos sobre as acusações, mas a defesa da suspeita não foi localizada. No campo disponibilizado para essa informação no processo, inclusive, ainda não há uma defesa sinalizada. O espaço segue aberto para atualizações.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSumiço de dinheiro
As investigações tiveram início após a avó da jovem registrar na delegacia uma ocorrência, em janeiro de 2025, sobre o desparecimento de aproximadamente R$ 87 mil de sua conta poupança.
À polícia, a idosa relatou que, desde julho de 2024, percebia inconsistências nos extratos bancários, com valores desaparecendo periodicamente da conta.
Inicialmente, segundo o depoimento, o banco teria atribuído o problema a supostas “oscilações do sistema”. Com o passar do tempo, porém, a vítima passou a desconfiar da atuação da própria neta nas movimentações financeiras. Ela, inclusive, chegou a pedir extratos para Thainah.
Segundo as diligências, a autora até chegou a imprimir o documento pedido pela avó. No entanto, falsificou o papel, ao escrever sorrateiramente o valor de R$ 87 mil à caneta, como prova de seus “investimentos”.
Além disso, a denunciada aproveitava que tinha controle sobre a conta da avó para transferir dinheiro às próprias contas, sob a falsa promessa de que os valores seriam “investidos” ou “renderiam mais” com a ré.
Contudo, a vítima não recebia qualquer benefício ou retorno dos valores. Entre abril de 2024 e setembro de 2025, Thainah subtraiu aproximadamente R$ 25,5 mil da idosa.
Diante do registro da ocorrência da avó, equipes da 14ª Delegacia de Polícia (Gama) aprofundaram as diligências, ao reunir extratos bancários, comprovantes de transferências da vítima e depoimentos de familiares.
Em um dos relatos prestados à polícia, um familiar ressaltou que a ré possuía uma procuração em nome do avô – marido da vítima denunciante –, além de também gerir a conta bancária do progenitor.
Em virtude disso, o familiar foi a uma agência bancária com o avô da autora e, ao analisar o extrato bancário, deparou-se com desvios e dívidas na conta bancária do idoso, tais como:
- transferências que totalizam um prejuízo de mais de R$ 11 mil;
- um empréstimo de quase R$ 22 mil – logo após a entrada do dinheiro na conta, foram subtraídos R$ 20 mil do valor e transferidos, via Pix, à conta da neta; e
- prejuízo referente ao empréstimo, com parcelas no valor de R$ 2,3 mil.
No entanto, o extrato revelou que a conta tinha um saldo de pouco mais de R$ 2,7 mil. Esse valor foi omitido e manipulado por Thainah quando o idoso lhe pediu o documento: na ocasião, a neta apresentou um extrato falso que indicava R$ 346 mil na conta da vítima.
Calote em tratamento e comprovantes falsos
Com o decorrer das investigações, novas movimentações fraudulentas foram constatadas. Uma delas, inclusive, é a procuração que o familiar citou em depoimento à PCDF.
O documento teria sido assinado sob o pretexto de que serviria para que a neta auxiliasse nas demandas do avô, como questões pessoais e financeiras, segundo as diligências.
No entanto, a ré aproveitou-se da procuração assinada para transferir um veículo do idoso, como garantia de um empréstimo pessoal da denunciada para a mãe.
O prejuízo à vítima não parou por aí. Segundo a denúncia do MPDFT, Thainah, de forma ardilosa, manipulou os comprovantes de despesas obrigatórias do seu avô, como contas de luz, água, IPTU e IPVA, gerando uma dívida acumulada de R$ 31 mil. Ela apresentava ao avô comprovantes de agendamento em vez de comprovantes de pagamento.
Em outra enganação à vítima, a denunciada se disponibilizou a pagar um tratamento odontológico ao avô, no valor de R$ 30 mil.
O procedimento consistiria na extração de dentes em uma clínica particular, sob a condição de que ainda seriam providenciadas próteses dentárias. A extração completa chegou a ser feita. Entretanto, a neta não levou mais o idoso à clínica para dar continuidade ao tratamento e não efetuou o pagamento.
“Essa conduta deixou [identificação da vítima] sem a dentição inferior e superior, em evidente sofrimento funcional e emocional, dificultando a sua alimentação e fala, configurando privação de cuidados indispensáveis e maus-tratos”, afirmou o promotor do MPDFT.
Diante de todos os fatos investigados, a suspeita foi indiciada por falsa identidade e estelionato, segundo o Tribunal da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).



