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Na Mira

Ex-funcionário de oficina: carro entrava novo e saía com defeito

A loja Grid Pneus é suspeita de cobrar preços abusivos e extorquir clientes. Mecânicos eram orientados a condenar peças dos veículos

25/05/2022 08:43, atualizado 25/05/2022 11:40
Procon/Divulgação
procon

Um ex-funcionário da loja Grid Pneus, interditada na manhã dessa terça-feira (24/5) durante operação conjunta do Procon e da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deu detalhes de como era a atuação dos empregados do estabelecimento. Sob condição de anonimato, o homem revelou ao Metrópoles que os mecânicos eram orientados a condenar peças dos veículos para forçar a contratação de outros serviços.

A loja é suspeita de cobrar preços abusivos e extorquir clientes. No local, fiscais encontraram vários veículos para manutenção sem qualquer orçamento ou ordem de serviço. Também não existia tabela de preço única para os consumidores.

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Ao verificar notas fiscais, o Procon identificou que as lojas aplicavam preços diferentes para o mesmo tipo de serviço, a depender do perfil de cada cliente. A ação foi realizada após a análise de diversas ocorrências policiais e de 26 reclamações contra a empresa no Procon por consumidores da capital.

“Somos todos incentivados a vender e vender. Fazem o que querem com o cliente. Falam para arrancar tudo que conseguirmos. Só falam em margem de lucros. Os serviços custam 10 vezes mais. Todos os mecânicos são treinados para condenar peças, pois ganham comissão em serviços, como rodas empenadas. O seu carro estará sempre destruído, mesmo sendo novo. Anunciam os pneus por valores baixos para levar o cliente até a loja e condenar peças. Chegam a oferecer brindes, como higienização de ar, para conquistar a confiança”, contou o ex-funcionário.
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Funcionários teriam extorquido clientes
Grid Pneus interditada pelo Procon
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Loja interditada na Asa Sul
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No site Reclame Aqui, diversos clientes denunciam preços abusivos e má qualidade de atendimento. Em um dos relatos, uma mulher afirma que “todos os funcionários são treinados para enganar todos”. Ela completa frisando que “o modus operandi é o mesmo em todas as lojas: condenam peças, cobram o que falam que seria de graça, fazem terror psicológico até você ficar sem pensar direito”.

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Outra denúncia expõe que um serviço, que na empresa investigada custa R$ 1.080, é encontrado em outro lugar por R$ 200.

“Em regra, as pessoas que chegam lá para fazer um serviço — por exemplo, troca de pneu —, a loja oferece uma série de outros serviços, sob a alegação de que os veículos estão com ‘n’ problemas, e cobra valores para manutenções desnecessárias nos carros dos consumidores. E, pior: na maioria das vezes, eles não realizam esses serviços extras que foram cobrados, até porque os veículos sequer tinham, de fato, os problemas apontados”, afirmou a diretora-geral substituta do Procon, Vanessa Pereira.

“Encontramos ordem de serviço no valor de R$ 20 mil para um Celta, o que equivale praticamente ao valor do automóvel”, acrescentou.

Com a decisão do Procon, as lojas estão com as atividades interditadas por tempo indeterminado. A empresa tem direito a apresentar defesa, sem efeito suspensivo da interdição, em até 10 dias, a partir dessa terça-feira (24/5).

Os responsáveis pelo estabelecimento não foram localizados. O espaço segue aberto para manifestação.

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