Empresário bancou chope de Natal para unidade ligada a delegado investigado
MP investiga suposto desvio e venda de carga apreendida durante a Operação Fogo Amigo. Delegado, escrivão e agente foram afastados

O processo que investiga o suposto desvio de uma carga de vergalhões avaliada em R$ 1,4 milhão também apura a atuação do delegado da Polícia Civil de Goiás Alexandre Bruno de Barros (foto em destaque), do escrivão Sílvio Pereira de Macedo e do agente Antônio Gomes de Assis Sobrinho.
Segundo documentos anexados aos autos, uma conversa atribuída ao empresário Silvio Gonçalves Dutra, conhecido como Carioca, menciona o fornecimento de chope para a confraternização de Natal da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECAR).
À época, a unidade era comandada pelo delegado Alexandre Bruno (imagem abaixo). Ainda conforme os arquivos, Carioca, empresário de Aparecida de Goiânia (GO), teria pedido a outros supostos receptadores que contribuíssem, em conjunto, para o fornecimento da bebida que seria servida na festa dos servidores da especializada.
Alexandre Bruno, Sílvio Pereira e Antônio Gomes foram afastados das funções por 90 dias por determinação da Justiça. Além do afastamento cautelar, a decisão determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados.
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Ver todasDefesa contesta acusações
O delegado Alexandre Bruno informou, por meio de sua assessoria, que considera uma “distorção narrativa” a tentativa de criminalizar uma menção informal sobre o fornecimento de bebida para a confraternização natalina de 2022.
Segundo a defesa, há um paradoxo na acusação de favorecimento, uma vez que, em 9 de janeiro de 2023, Alexandre Bruno assinou os despachos que determinaram a revogação de todos os depósitos particulares da delegacia, após já ter solicitado providências à própria Polícia Civil e ao Ministério Público do Estado de Goiás sobre a situação dos locais utilizados para armazenar cargas apreendidas.
A assessoria destaca, ainda, que Alexandre Bruno sequer presidiu o inquérito policial relacionado à apreensão da carga de vergalhões de aço, avaliada em R$ 1,4 milhão. Dessa forma, sustenta que não caberia a ele qualquer responsabilidade gerencial ou de custódia sobre a carga e sobre o suposto desvio mencionado na investigação.
Operação Fogo Amigo
Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), o ponto de partida da investigação foi o suposto desvio de uma carga de vergalhões apreendida durante a Operação Fogo Amigo, deflagrada em 2021 em Aparecida de Goiânia (GO). De acordo com o órgão, Alexandre Bruno, Sílvio Pereira e Antônio Gomes teriam participado da operação.
Os vergalhões – barras de ferro usadas na construção civil, avaliados em aproximadamente R$ 1,4 milhão, teriam sido encaminhados para o depósito do empresário Silvio Dutra, ainda segundo as investigações.
O Ministério Público afirma que outros bens apreendidos pela DECAR também teriam sido levados, de maneira informal, para galpões ligados a integrantes do grupo investigado. Conforme o órgão, o armazenamento ocorria sem contrato, licitação ou controle judicial.
A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos demais citados. O espaço permanece aberto para manifestações.
Suposto desvio de cargas
Segundo os promotores, Silvio Dutra, o Carioca, seria responsável por armazenar cargas e veículos apreendidos pela DECAR durante a gestão de Alexandre Bruno.
As investigações apontam que os valores obtidos com a suposta venda das cargas seriam divididos entre Carioca e agentes públicos vinculados à DECAR, entre eles o delegado.
Em 2023, a Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões ligados ao empresário e apreendeu o celular dele. Conforme a investigação, mensagens encontradas no aparelho fariam referência a supostos roubos, furtos e desvios de cargas.
O processo também registra o relato de um parceiro de Carioca, que teria afirmado ter entregue uma sacola contendo R$ 200 mil ao delegado.
Afastamento por 90 dias:
- A decisão do 1º Juízo das Garantias de Goiânia, no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de desvio e venda clandestina de cargas e veículos apreendidos pela DECAR.
- Além do afastamento cautelar, a Justiça determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados.
- Também foi determinado o bloqueio de seus acessos aos sistemas da Polícia Civil.
- Os três também estão proibidos de frequentar repartições policiais durante o período da medida.
- O afastamento tem prazo inicial de 90 dias e não implica suspensão da remuneração dos servidores.
PCGO apura condutas
Em nota, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) informou, na quarta-feira (2/9), que a Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados na Operação Depositário Infiel II.
Segundo a corporação, diligências estão sendo realizadas e o procedimento tramita sob sigilo. A PCGO informou ainda que todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário foram cumpridas administrativamente.













