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Disk chopp participou de licitação de obras fraudadas por prefeitos

O delegado Mateus de Sá detalhou que as equipes se depararam com fortes indícios de crime em pelo menos cinco licitações no Paraná

atualizado 26/10/2021 8:37

PFReprodução

Investigação conduzida pela Polícia Federal sobre corrupção em prefeituras do Paraná identificou que uma empresa de disk chopp participou de licitação para fazer serviços de pavimentação urbana. Batizada de Operação Jaborandi, a ação deflagrada na manhã desta terça-feira (26/10) tem como alvos prefeitos, servidores públicos e empreiteiros que agiam no estado do Paraná.

O delegado da PF Mateus Marins Correa de Sá detalhou que as equipes se depararam com fortes indícios de crime em pelo menos cinco licitações. “Os grupos criminosos envolvem empreiteiros, agentes públicos e políticos que se uniam com o intuito de direcionar as licitações, utilizar quantitativos menor que o previsto no contrato e, ao final, pulverizar os valores entre os integrantes. Uma das licitações tinha como objeto licitatório uma pavimentação urbana. Uma das empresas concorrentes era um disk chopp da região”, disse.

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Cerca de 120 policiais federais cumprem 28 mandados judiciais em seis municípios dos estados do Paraná e um do Pará, dando continuidade à investigação que começou há cerca de um ano após denúncias de que empreiteiros estariam se reunindo em conluio com chefes dos poderes Executivos locais para fraudar o caráter competitivo de procedimentos licitatórios envolvendo o setor de obras de municípios.

Ao longo das investigações, foi possível identificar ao menos duas organizações criminosas, estruturalmente ordenadas e com atuações bem definidas, as quais, sob a anuência e coordenação dos prefeitos de Boa Vista da Aparecida (PR) e Umuarama (PR) (atualmente afastado), se reuniam para direcionar licitações a empresários integrantes do grupo, superfaturar seus valores e posteriormente pulverizá-los entre os agentes públicos e empresários que participavam do esquema.

Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude ao caráter competitivo de procedimento licitatório, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas, somadas, podem chegar a 62 anos de reclusão.

O nome da operação faz referência à estrada Jaborandi, localizada no município de Umuarama (PR), sendo uma das primeiras obras que originaram a investigação.

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