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“Desembargador” investigado por ameaça em mercado é militar da FAB
Luis Aníbal Bonifácio Bonne, 59, faz parte da reserva da Aeronáutica. Ele é investigado por ameaçar, armado, o segurança de um supermercado
atualizado
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O homem que se apresentou como desembargador e ameaçou com uma arma de fogo o gerente de um atacadão no Gama (DF) é, na verdade, militar reformado da Força Aérea Brasileira (FAB).
Luis Aníbal Bonifácio Bonne, 59 anos, é investigado pela ameaça e também por violência doméstica contra a esposa. Os casos vieram à tona nessa terça-feira (17/3) após operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Luis faz parte da reserva remunerada da FAB desde janeiro de 2019. Ele foi aposentado como suboficial e está lotado no Comando da Aeronáutica (Comaer).
Entenda o caso
- Em 17 de maio de 2024, a filha do militar da FAB Luis Aníbal Bonne fazia compras em um supermercado no setor leste do Gama quando, segundo ela, um segurança começou a persegui-la.
- A mulher, que é negra e estava vestindo roupas e acessórios característicos de religião de matriz africana, aponta a prática de racismo estrutural no tratamento dado pelo funcionário.
- O pai da jovem soube do caso e foi armado ao supermercado. Segundo a PCDF, ele ameaçou o gerente com uma arma de fogo, exigindo que o segurança fosse demitido.
- A filha do militar processou o supermercado exigindo indenização por danos morais, e o caso segue na 1ª Vara Cível do Guará, do Tribunal de Justiça (TJGO). Em decisão publicada em fevereiro de 2026, a juíza Patrícia Vasques Coelho determinou que autor e réu façam considerações relacionadas às imagens de câmeras de segurança do supermercado registradas no dia dos fatos.
- Paralelo ao processo judicial, a PCDF apurou que Luis Aníbal, pai da suposta vítima de racismo e intolerância religiosa, se apresentou no supermercado à data do ocorrido como desembargador, e não como militar.
- A PCDF verificou também que, em 2016, a esposa de Luis Aníbal registrou contra ele uma ocorrência de violência psicológica e pediu medidas protetivas. Na ocasião, a mulher declarou que o militar possui “temperamento agressivo” intensificado pelo uso da arma de fogo e mencionou episódios anteriores onde o indivíduo apontou o revólver a outras pessoas.
O nome do segurança acusado não foi divulgado pelas autoridades envolvidas. O Ministério Público do DF (MPDFT) ofereceu denúncia contra ele, de acordo com a polícia.
PCDF cumpre mandado
A Polícia Civil cumpriu, nesta terça-feira (17/3), mandado de busca e apreensão expedido pela 1ª Vara Criminal do Gama na casa do militar. Agentes da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin) apreenderam a arma de fogo dele (foto em destaque).
Antes do caso envolvendo o segurança do supermercado, o militar já possuía contra si um registro anterior de ameaça com arma de fogo.
A coluna não localizou a defesa do militar. O espaço segue aberto para possíveis posicionamentos.
