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“Desembargador” é investigado por ameaça após filha ser perseguida
Mulher foi perseguida por segurança de mercado por ser negra e usar roupas religiosas. Depois, o pai da mulher ameaçou o segurança
atualizado
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Um homem de 58 anos, que se apresentava como desembargador, se tornou alvo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante o atendimento de outra ocorrência policial. Pai de uma mulher que denunciou um caso de discriminação racial em um supermercado do Gama (DF), ele foi à loja armado e ameaçou o gerente, exigindo a demissão do segurança que havia seguido a filha pelo estabelecimento.
Ele acabou sendo alvo de mandado de busca e apreensão no Núcleo Bandeirante (DF), como parte da Operação Handgun, deflagrada nesta terça-feira (17/3). A equipe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin/DF) constatou que já havia um registro anterior de ameaça com arma de fogo contra o homem. Diante disso, foi cumprido mandado judicial que resultou na apreensão da arma utilizada.
O homem também é investigado por violência doméstica. Na delegacia, a esposa do suposto desembargador relatou sofrer violência psicológica, incluindo ameaças e intimidações, e solicitou medidas protetivas.
Intolerância religiosa
O caso teve início no mesmo dia, quando a filha dele, uma mulher negra, que estava vestida de branco — traje tradicional de religiões de matriz africana —, foi perseguida pelo segurança como se tivesse intenção de furtar produtos. A situação passou a ser investigada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação como possível caso de racismo e intolerância religiosa.
Revoltado, o pai entrou na loja e fez ameaças ao gerente, exigindo punição imediata ao funcionário envolvido, mas acabou virando alvo de busca e apreensão da PCDF.
Segundo a polícia civil, o segurança foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).
