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Carlinhos Cachoeira: bicheiro foi preso após treta com delegado goiano
Empresário foi detido pela PF após decisão da Justiça de Goiás em processo por calúnia, injúria e difamação contra delegado da PCGO
atualizado
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A prisão do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, cumprida nessa quarta-feira (13/5) pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, teve origem em um mandado expedido dentro de um processo criminal movido por um delegado da Polícia Civil de Goiás. O empresário é acusado de ter proferido uma série de ofensas, calúnias, injúrias e difamações contra a autoridade policial.
A coluna Na Mira apurou que oficiais de Justiça tiveram dificuldades para localizar e citar Cachoeira durante o andamento do processo, já que ele havia mudado de endereço. Houve, inclusive, a informação de que o empresário teria “fugido” para evitar a citação judicial. No entanto, pessoas ligadas ao caso afirmam que a situação ocorreu porque Cachoeira não teria atualizado seus novos endereços junto à Justiça.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo juiz Luciano Borges da Silva, da 8ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), em decisão assinada no último dia 7 de maio. Segundo os autos, a medida decorre de um processo envolvendo os crimes de calúnia, injúria e difamação.
Histórico de escândalos
Cachoeira foi preso pela Polícia Federal enquanto fazia escala em um voo no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista. Após a detenção, ele foi encaminhado ao 27º Distrito Policial, no Campo Belo.
Conhecido nacionalmente por sua atuação em esquemas ligados à exploração ilegal de jogos de azar, Carlinhos Cachoeira tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da contravenção no Brasil. Natural de Goiás, ele ganhou notoriedade ao construir uma rede de negócios clandestinos envolvendo jogo do bicho e máquinas caça-níqueis no Centro-Oeste.
Ao longo dos anos 2000, o nome do empresário passou a frequentar investigações policiais e o noticiário político nacional. Em 2004, ganhou projeção no chamado “Caso Waldomiro Diniz”, após a divulgação de vídeos que mostravam negociações envolvendo interesses políticos e jogos ilegais.
Operação Monte Carlo
O principal golpe contra o esquema comandado por Cachoeira ocorreu em 2012, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo. A investigação apontou um suposto esquema de exploração de caça-níqueis, corrupção e influência política em Goiás.
Escutas telefônicas revelaram contatos frequentes entre o empresário e figuras importantes da política brasileira. A operação resultou em dezenas de prisões, apreensão de veículos, dinheiro, armas e documentos, além de provocar grande repercussão nacional e a criação de uma CPMI no Congresso Nacional.
Na época, a Justiça Federal apontou Cachoeira como líder da organização criminosa investigada. Em dezembro de 2012, ele foi condenado a mais de 39 anos de prisão por crimes como corrupção ativa, formação de quadrilha, violação de sigilo funcional e peculato. Parte dos processos, porém, seguiu tramitando em instâncias superiores ao longo dos anos.
Influência e repercussão
Mesmo após as investigações e condenações, o nome de Carlinhos Cachoeira continuou sendo associado a reportagens sobre corrupção, contravenção e influência política no país. O caso se tornou símbolo da relação entre organizações criminosas e setores políticos e econômicos brasileiros.
A repercussão da Operação Monte Carlo também ampliou os debates sobre fiscalização de jogos ilegais, corrupção e a atuação de grupos criminosos junto a agentes públicos e empresários.
