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Brasília Iluminada: MP faz buscas na casa de ex-secretário de Economia

Operação do Ministério Público do DF e Territórios investiga supostas irregularidades na decoração de Natal da Esplanada dos Ministérios

atualizado 25/01/2022 18:46

Brasilia Iluminada Hugo Barreto/Metrópoles

O ex-secretário de Economia do DF André Clemente, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), é um dos alvos da Operação Tenebris, deflagrada na manhã desta terça-feira (25/1) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

A ação apura possíveis crimes relacionados à contratação do Brasília Iluminada pela Secretaria de Economia do DF. Os investigadores fizeram buscas na casa de Clemente, no Sudoeste. A ação teve apoio da Polícia Civil do DF e do Gaeco de Goiás.

As investigações apontaram uma série de irregularidades no processo de contratação do Instituto Idheias para a realização do evento, o qual previa a ornamentação do canteiro central da Esplanada dos Ministérios e do Eixo Monumental, além da realização de atividades culturais.

A suspeita é de que a empresa, que detém formalmente a condição de Organização da Sociedade Civil, tenha sido utilizada como fachada apenas para permitir a realização do contrato sem licitação e, posteriormente, terceirizar quase na íntegra a execução dos serviços para companhias que lucraram com o acordo.

A Justiça também autorizou buscas nas residências de: Marconi José de Souza Barros; Maria Inês Pupe Barros, esposa de Marconi; Marcela Pupe, filha do casal e dona da Primer Serviço de Comunicação e Eventos; Geraldo Marcelo Soares Sanches, presidente do Instituto Idheias; e Juliana Moreno Fagundes, que seria responsável pela execução do projeto Brasília Iluminada representando o Idheias. Juliana foi servidora na Secretaria de Turismo, atuando em processos de contratação do próprio instituto.

Além das buscas nos endereços dos suspeitos, foram realizadas apreensões nas sedes do Idheias e das empresas Mark Systems e Primer Serviço de Comunicação e Eventos. A Justiça também autorizou o bloqueio das contas dos investigados, à exceção de André Clemente.

Brasília Iluminada

Neste ano, a estrutura de decoração montada no centro da cidade no período de Natal custou, aproximadamente, R$ 14 milhões. O montante corresponde a um aumento de 42% em comparação com 2020. À época, o valor ficou na casa dos R$ 9 milhões.

Confira imagens da instalação da estrutura:

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O Tribunal de Contas do DF informou, em nota, que “tomou conhecimento da Operação Tenebris por meio da imprensa nesta terça-feira. O TCDF está acompanhando os desdobramentos dessa operação e, como ela envolve um de seus membros, vai solicitar informações ao Poder Judiciário.”

André Clemente emitiu, no fim da manhã desta terça-feira (25/1), um comunicado público após ser alvo de operação do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) que investiga supostas irregularidades envolvendo o projeto Brasília Iluminada. Clemente alegou que a ação “foi uma fraude arquitetada por atores de um jogo político sujo desde que meu nome surgiu para a vaga do Tribunal de Contas do DF”.

Confira, na íntegra, o comunicado de André Clemente:

“Com relação as buscas realizadas hoje, tenho total tranquilidade sobre o caso. Mas me causa revolta apenas por saber que o tema é tratado por autoridades que deveriam agir de forma isenta, mas atuam sob interesses políticos.

Tenho um nome a zelar. Nos meus mais de 32 anos como servidor nunca respondi a sequer um processo administrativo.

Não pratiquei nenhum ato nesse contrato. A Secretaria de Economia realizou o Brasília Iluminada movida pelo mais legítimo interesse público.

O que ocorreu hoje foi uma fraude arquitetada por atores de um jogo político sujo desde que meu nome surgiu para a vaga do Tribunal de Contas do DF.

Vou empenhar as minhas energias para deixar provado o absurdo cometido e buscar responsabilizar os autores de tal violência.

Assim, acabo de solicitar uma auditoria rigorosa nesse contrato para demonstrar o rigor e a impessoalidade da atuação da Secretaria como um todo.

André Clemente”

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