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Autor de pichação contra Alckmin e PT é advogado e bolsonarista de SC

Dias depois, policiais legislativos do Senado correram atrás do suspeito e não o alcançaram. No entanto, o pichador deixou cair uma mochila

atualizado 02/12/2022 9:34

Lateral de ministério na Esplanada aparece pichado com tinta vermelha, ameaçando o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e dizendo que ele foi "drogado" - Metrópoles Breno Esaki/Especial para o Metrópoles

O autor de pichações com ataques ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao vice-presidente da República eleito, Geraldo Alckmin (PSB), foi identificado e se tornou alvo de investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O pichador é o advogado Claudemir Antônio Parisotto, de 48 anos, que foi levado por policiais militares até a 5ª Delegacia de Polícia (Área Central).

Após as primeiras pichações estamparem a fachada dos ministérios da Saúde e da Agricultura, integrantes do 6º Batalhão da Polícia Militar (BPM) começaram a patrulhar a região a fim de tentar localizar o vândalo. Poucos dias depois, policiais legislativos do Senado Federal chegaram a correr atrás do suspeito, mas não o alcançaram. No entanto, o pichador deixou cair uma mochila.

Com a pista, as autoridades descobriram a identidade do homem que estava manchando os monumentos com ataques ao PT e alguns políticos ligados à legenda. Mesmo assim, ele não parou e ainda sujou as paredes do Museu Nacional da República, os Anexos do Senado e da Câmara dos Deputados. O Ministério das Relações Exteriores e a Catedral de Brasília também não escaparam.

Veja imagens das pichações:

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Saiba quem é o pichador:

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Lata de spray

Todos os ataques ocorreram entre os dias 22 e 24 de novembro. Já nessa quarta-feira (1º/12), PMs patrulhavam a região quando viram o pichador em frente ao Ministério da Defesa. Depois de abordado, o homem se identificou com advogado e portava uma lata de tinta spray idêntica a que foi usada para pichar os ministérios. Com isso, ele foi levado para a delegacia.

Em depoimento, o advogado confessou que era o autor das pichações, mas negou que estivesse prestes a vandalizar o prédio do Ministério da Defesa. O suspeito garantiu que iria providenciar cartazes para pichar e participar de ato do Dia do Evangélico, ocorrido no último dia 30.

Aos policiais, o advogado não apresentou qualquer documento de identidade, somente uma cópia de impressão do que ele alegava ser de uma consulta ao banco de cadastro de advogados.

Entenda o caso

Os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Ministério da Saúde e o Museu Nacional da República foram alvo de pichações contra o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB). Com letras em vermelho, os suspeitos escreveram frases como: “O Alckmin foi drogado com LSD, a droga da reeducação comunista”.

Em outro monumento, havia, ainda, os dizeres: “O fruto proibido domina a mente por sete dias” e que “Alckmin foi drogado pelo PT com LSD”.

Alckmin tem assumido um importante papel na transição do governo Lula. Tomou, inclusive, a dianteira da interlocução com os militares. Nas conversas com o vice-presidente eleito, militares defenderam a nomeação de um civil de perfil “moderado” para comandar o Ministério da Defesa no governo petista.

O presidente eleito já deixou claro que pretende retomar a tradição de um civil comandar a pasta. Essa tradição foi quebrada em 2019, no início do governo Bolsonaro, que só indicou generais como ministros. O próprio Alckmin é um dos cotados para ser ministro da Defesa de Lula. O nome do vice-presidente eleito é bem visto por militares por ser moderado e ter histórico de boa relação com a caserna.

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