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Agente do Detran-DF e bombeiro cobravam R$ 150 para fraudar documentos

Sargento do CBMDF e agente do Detran foram alvo de busca e apreensão acompanhados pelas corregedorias das respectivas corporações

atualizado

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Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
Agente do Detran-DF e bombeiro cobravam R$150 para fraudar documentos
1 de 1 Agente do Detran-DF e bombeiro cobravam R$150 para fraudar documentos - Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

O segundo-sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), Aldo Henrique Gomes Costa, e o agente do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), Bruno Cesar Fernandes da Silva, foram alvos de mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (6/11), durante a Operação Wrong Way, deflagrada por policiais civis da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia). Os investigados negam envolvimento em qualquer tipo de esquema criminoso. (Confira nota abaixo)

De acordo com as investigações, os servidores cobravam R$ 150 para emitir Autorizações de Transferência de Propriedade de Veículo (ATPV-e) sem realizar a conferência da documentação obrigatória, burlando as exigências legais.

Os dois alvos são sócios da loja Eurocar Comércio de Veículos, situada na Cidade do Automóvel, onde foram realizadas buscas pela polícia. As diligências — tanto na empresa quanto nas residências dos investigados — foram acompanhadas pelas corregedorias do CBMDF e do Detran-DF, em razão de ambos serem servidores públicos das forças de segurança.

Veja imagens da operação:

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Embaixo da cama
Quarto de um dos investigados
Operação da 18ª DP
PCDF na loja dos investigados
Buscas na loja na Cidade do Automóvel
Buscas nas casas dos empresários
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Buscas nas casas dos empresários

Reprodução / PCDF
Embaixo da cama
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Embaixo da cama

Reprodução / PCDF
Quarto de um dos investigados
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Quarto de um dos investigados

Reprodução / PCDF
Operação da 18ª DP
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Operação da 18ª DP

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PCDF na loja dos investigados
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PCDF na loja dos investigados

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Buscas na loja na Cidade do Automóvel
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Buscas na loja na Cidade do Automóvel

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Afastamento e apuração administrativa

O Detran informou que os servidores identificados na operação serão afastados de suas funções e responderão a processo administrativo disciplinar (PAD), instaurado pela corregedoria do departamento. O órgão reforçou que mantém o sigilo necessário para assegurar a integridade e o regular andamento do inquérito.

O Metrópoles entrou em contato com a assessoria do CBMDF e tenta localizar a defesa do agente do Detran-DF, do sargento do CBMDF e da loja Eurocar. O texto será atualizado caso haja manifestação.


Mais detalhes da Operação Wrong Way:

  • A fraude ocorria mediante pagamento clandestino de valores por empresários interessados em acelerar processos de transferência.
  • As apurações revelaram que o esquema era alimentado por lojas de veículos e despachantes informais.
  • Os investigados ofereciam aos clientes carros já transferidos, sem exigência de comparecimento ao Detran.
  • A PCDF também identificou movimentações bancárias incompatíveis com a renda dos envolvidos.
  • Em alguns casos, os valores circulados nas contas superavam em até 10 vezes os salários dos servidores.

Além disso, há indícios de lavagem de dinheiro, com uso de contas bancárias de familiares para ocultar a origem dos recursos ilícitos. A Operação Wrong Way segue em andamento e novas diligências ainda poderão ocorrer para identificar a extensão exata da atuação da dupla e de possíveis outros envolvidos no esquema de transferências ilegais de veículos no Distrito Federal.


Empresários envolvidos:

  • Em um ano, a PCDF identificou centenas de transferências fraudulentas realizadas para 36 empresários
  • Esses empresários estão ligados a pelo menos 15 empresas de compra e venda de carros.
  • Muitos dos estabelecimentos atuavam como despachantes informais.
  • Eles ofereciam aos clientes veículos já transferidos sem necessidade de visita ao Detran.

Documentos, computadores e celulares apreendidos serão submetidos a perícia técnica.  Os levantamentos também revelaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos investigados. Em alguns casos, valores movimentados chegavam a dez vezes o salário mensal dos servidores.

Resposta dos investigados

Em nota, a defesa dos servidores investigados informou, na tarde desta quinta-feira (6/11), que o inquérito apura a conduta de 45 pessoas e os nomes do Segundo-Sargento Aldo Henrique e o do agente Bruno Cesar constam na lista apenas por serem os proprietários da loja e não são operadores de nenhum esquema.

“É fundamental esclarecer que o inquérito policial apura a conduta de um universo de 45 investigados, sendo o Segundo-Sargento Aldo Henrique e o Agente Bruno
Cesar apenas dois deles pelo simples fato de serem proprietários da loja, e jamais foram colocados como operadores ou investigados. A ênfase desproporcional dada a seus nomes sugere uma tentativa de pré-julgamento e de desvio do foco da totalidade dos fatos. Registra-se que consta um servidor do Detran que vem sendo investigado que não se relaciona aos aqui qualificados. Ressaltamos que o processo em questão tramita sob Segredo de Justiça, conforme determinação judicial, o que impõe a todas as partes o dever de sigilo e cautela na divulgação de informações”, diz a nota.

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