Na Mira

Bombeiro e agente usaram família como “laranja” em fraude no Detran

Sargento do CBMDF e agente do Detran foram alvo de busca e apreensão acompanhados pelas corregedorias das respectivas corporações

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Viatura do Detran - Metrópoles
1 de 1 Viatura do Detran - Metrópoles - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Dois empresários investigados na Operação Wrong Way, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), nesta quinta-feira (6/11), são sócios em uma loja de carros localizada na Cidade do Automóvel. O que chamou ainda mais atenção dos investigadores da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) foi o fato de que ambos exercem funções em órgãos de segurança pública: um deles é agente de trânsito do Detran e o outro é segundo-sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).

São o segundo-sargento do CBMDF Aldo Henrique Gomes Costa e o agente do Detran Bruno Cesar Fernandes da Silva, que figuram como sócios na loja Eurocar Comércio de Veículos, situada na Cidade do Automóvel. Os investigados negam envolvimento em qualquer tipo de esquema. (Confira nota abaixo)

Os dois foram alvo de mandados de busca e apreensão acompanhados pelas corregedorias das respectivas corporações. Segundo as apurações, os empresários utilizavam contas bancárias em nome de familiares — apontados como “laranjas” — para movimentar valores recebidos de um esquema de fraudes na transferência de veículos.

Veja imagens da operação:

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6 imagens
Embaixo da cama
Quarto de um dos investigados
Operação da 18ª DP
PCDF na loja dos investigados
Buscas na loja na Cidade do Automóvel
Buscas nas casas dos empresários
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Buscas nas casas dos empresários

Reprodução / PCDF
Embaixo da cama
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Embaixo da cama

Reprodução / PCDF
Quarto de um dos investigados
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Quarto de um dos investigados

Reprodução / PCDF
Operação da 18ª DP
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Operação da 18ª DP

Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
PCDF na loja dos investigados
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PCDF na loja dos investigados

Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
Buscas na loja na Cidade do Automóvel
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Buscas na loja na Cidade do Automóvel

Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

Posicionamento

O Detran informou que os servidores identificados na operação serão afastados de suas funções e responderão a processo administrativo disciplinar (PAD), instaurado pela corregedoria do departamento. O órgão reforçou que mantém o sigilo necessário para assegurar a integridade e o regular andamento do inquérito.

Já o CBMDF afirmou que a corregedoria da corporação acompanhou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e está colaborando com as investigações. Paralelamente, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis para apurar a conduta do militar e que eventuais irregularidades serão apuradas com o devido rigor.

A coluna Na Mira também tentou contato como agente do Detran-DF, o sargento do CBMDF e a loja Eurocar, além de buscar a defesa dos envolvidos. O espaço segue aberto para manifestações.

A megaoperação mobilizou cerca de 120 policiais civis e cumpriu 45 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do Distrito Federal e do Entorno. As ações ocorreram em locais como Cidade do Automóvel, Taguatinga, Águas Claras, Vicente Pires, Ceilândia, Santa Maria, Riacho Fundo, Noroeste, Vila Planalto, São Sebastião, além de Pedregal e Águas Lindas de Goiás.

Centenas de Transferências

As investigações apontam que dois servidores do Detran, incluindo um dos sócios da loja de veículos, eram responsáveis por emitir Autorizações de Transferência de Propriedade de Veículo (ATPV-e) sem qualquer conferência documental, mediante pagamento de R$ 150 por processo.

Durante um ano de investigação, a PCDF identificou centenas de transferências fraudulentas realizadas para 36 empresários ligados a pelo menos 15 empresas de compra e venda de carros. Muitos destes estabelecimentos atuavam como despachantes informais, oferecendo aos clientes veículos já transferidos sem necessidade de visita ao Detran.

Os levantamentos também revelaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos investigados. Em alguns casos, valores movimentados chegavam a 10 vezes o salário mensal dos servidores. Para ocultar a origem do dinheiro, os investigados utilizavam contas de parentes próximos, configurando lavagem de capitais.

Senhas compartilhadas

Além disso, perícias comprovaram que senhas funcionais foram compartilhadas ilegalmente, permitindo acesso indevido ao sistema interno do órgão por terceiros — incluindo familiares dos servidores envolvidos.

Segundo o delegado-chefe da 18ª DP, Fernando Cocito, o esquema era operado de forma organizada: “Empresários enviavam documentos, por vezes falsos, para os servidores, que então realizavam as transferências diretamente no sistema, ignorando as exigências legais. Em troca, recebiam pagamento por operação”, explicou.

A Operação Wrong Way segue em curso, e novas fases não estão descartadas. A PCDF afirma que o foco agora é identificar outros eventuais beneficiários do esquema.

Resposta dos investigados

Em nota, a defesa dos servidores investigados informou, na tarde desta quinta-feira (6/11), que o inquérito apura a conduta de 45 pessoas e os nomes do Segundo-Sargento Aldo Henrique e o do agente Bruno Cesar constam na lista apenas por serem os proprietários da loja e não são operadores de nenhum esquema.

“É fundamental esclarecer que o inquérito policial apura a conduta de um universo de 45 investigados, sendo o Segundo-Sargento Aldo Henrique e o Agente Bruno
Cesar apenas dois deles pelo simples fato de serem proprietários da loja, e jamais foram colocados como operadores ou investigados. A ênfase desproporcional dada a seus nomes sugere uma tentativa de pré-julgamento e de desvio do foco da totalidade dos fatos. Registra-se que consta um servidor do Detran que vem sendo investigado que não se relaciona aos aqui qualificados. Ressaltamos que o processo em questão tramita sob Segredo de Justiça, conforme determinação judicial, o que impõe a todas as partes o dever de sigilo e cautela na divulgação de informações”, diz a nota.

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