Na contramão do país, registros de armas de fogo diminuem no DF

Levantamento do (M)Dados mostra que, em comparação a 2018, os pedidos deferidos a pessoas físicas em 2019 caíram em média 45,6% por mês

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 10/01/2020 14:31

Ainda que os novos registros de armas de fogo concedidos pela Polícia Federal para pessoas físicas tenham batido recorde, em 2019, no Brasil, os números do Distrito Federal vão na contramão da realidade do país. Levantamento realizado pelo (M)Dadosnúcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, a partir de informações concedidas via Lei de Acesso à Informação (LAI), mostra que a quantidade por mês caiu 45,6%, em média, na capital da República.

No DF, foram aprovadas 761 solicitações de licenciamento em 2018 – uma média de 63,5 por mês. Até novembro de 2019, foram 380 pedidos deferidos, ou seja, uma média de 34,54/mês. Os dados de dezembro ainda não foram disponibilizados pela Polícia Federal.

No Brasil, foram registradas 35.758 armas por pessoas físicas em 2018, o equivalente a 2,98 mil/mês, enquanto o último ano terminou com mais de 43 mil (3,58 mil/mês). Um recorde desde 2010. A conta inclui apenas os registros de pessoas físicas e não contempla caçadores, atiradores, colecionadores (CACs) nem empresas de segurança.

No entanto, a tendência é a mesma se forem considerados os CACs. No Distrito Federal, foram licenciadas 729 novas armas de fogo até novembro de 2019 (66,27/mês), contra 866 em 2018 (72,16/mês). O valor só não é menor do que em 2017, quando 610 novas inscrições foram feitas no período. Ceará, Goiás, Paraná e Sergipe seguiram a linha e diminuíram os números neste ano.

Uma vendedora de loja de armas do Plano Piloto, que não quis ser identificada, contestou a queda e afirmou que a procura pelos revólveres e pistolas continua crescendo em Brasília. “O mercado ainda está quente. Tanto que teremos reajuste de 5% no valor a partir desta segunda-feira (13/01/2020)”, disse.

“Efeito Bolsonaro”

Tornar mais fácil o acesso da população a armas de fogo foi uma das promessas de campanha do então candidato Jair Bolsonaro, em 2017. No primeiro ano de governo, apesar das polêmicas, o presidente editou oito decretos a respeito do tema.

Os textos permitem, por exemplo, posse de arma em propriedade rural, aumentam a validade dos registros, flexibilizam as regras para caçadores, atiradores e colecionadores (CAC’s) e liberam a aquisição de armas de fogo para membros das Forças Armadas ou da polícia, sem comprovação de antecedentes criminais.

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