Mulher relata “desespero” e angústia em espera por cirurgia no HBDF. Veja vídeo
Pacientes ortopédicos aguardam há dias internados em leitos improvisados nos corredores do hospital em contato com mortos e feridos
atualizado
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Os gritos de dor, leitos improvisados no corredor e o contato com corpos embrulhados em macas têm causado desespero e angústia nos pacientes ortopédicos que aguardam por cirurgias no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Segundo relatos ouvidos pela reportagem do Metrópoles, um dos motivos para este “cenário de guerra” seria a falta de cirurgiões e anestesistas. Enquanto isso, os pacientes com fraturas aguardam sem previsão de data para as cirurgias.
Veja imagens registradas na quarta-feira (22/4) e na segunda-feira (20/4):
A gerente clínica Queren Hapuque Sousa, de 39 anos, quebrou o tornozelo após um escorregão no dia 14 de abril. Moradora de Valparaíso (GO), no Entorno do DF, ela deu entrada no Hospital de Base, no dia seguinte à queda e foi internada em 16 de abril. Desde então, aguarda por cirurgia em um leito improvisado no meio do corredor do hospital. Segundo ela, ainda não há previsão de data para o procedimento cirúrgico.
“Além das dores da fratura, a minha coluna também está bastante afetada pelo desconforto do leito no corredor. Já são seis noites sem dormir direito, pois é um lugar que não apaga a luz e não há silêncio. A quantidade de pessoas que geme de dor é um cenário de guerra real. Minha saúde psicológica tem sido muito afetada por não ter previsão, não ter respostas, por ver pacientes indo embora e eu ficando. Tenho visto macas com corpos mortos e embrulhados, o que estou passando é algo desesperador“, desabafa a paciente.
Crises agressivas e surtos
Para piorar a situação, o corredor onde Queren está internada dá acesso ao Pronto Socorro da Psiquiatria. “É outra coisa terrível de se acompanhar diariamente. Tenho visto pacientes com crises agressivas trazidos pela Polícia Civil algemados pelos pés e mãos. Tem crianças em crises e pacientes que gritam a noite toda”, comentou. Diante de tanto sofrimento e sem perspectiva de cirurgia, Queren conta que começou a perder a esperança.
Outro caso que ilustra a demora na marcação das cirurgias ortopédicas, é o da dona de casa Letícia Gonçalves da Silva, de 27 anos. Mãe de quatro filhos, ela fraturou o o polegar direito ao cair em um buraco no Recanto das Emas (DF), no dia 16 abril. No mesmo dia, buscou atendimento no HBDF e foi encaminhada para cirurgia.
Demora na triagem e espera no Raio-X
“Cheguei às 15h e fiquei duas horas esperando na triagem. Passei mais duas horas esperando a fila do Raio-X , que estava lotada. O médico me atendeu rápido e disse que eu deveria ficar internada porque precisava de cirurgia. Desde então, estou esperando no corredor, que não tem nem lugar para os acompanhantes”, relatou Letícia.
À espera da cirurgia, Letícia ficou aflita com os filhos: um bebê de 1 ano e três meninas de 5,9 e 12 anos. “Minha sogra está com o bebê e minha irmã, com as meninas. Só Jesus! Estão todas aperreadas. É bem ruim. Estou sofrendo de ansiedade e fico pensando nos meus filhos. Choro demais todos os dias e já pensei em sair daqui correndo”, comentou.
Segundo Letícia, a previsão dos médicos é que ela seria operada ainda nessa quarta-feira (22/4).
Outro lado
O Metrópoles entrou em contato com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde, responsável pelo Hospital de Base, que informou em nota que “o HBDF registra demanda elevada na área de ortopedia, com volume expressivo de atendimentos e recebimento de pacientes encaminhados de outras unidades da rede. Esse cenário pode impactar o tempo de espera para procedimentos não emergenciais. Ainda assim, não há interrupção dos atendimentos. As equipes seguem atuando de forma contínua, com avaliação permanente dos pacientes”.
A nota ressalta ainda que “todos os pacientes internados com indicação cirúrgica são conduzidos de acordo com critérios de prioridade e particularidades clínicas individuais. Para ampliar a capacidade de atendimento, o HBDF disponibilizou vagas adicionais de centro cirúrgico para cirurgias ortopédicas, em articulação com a rede pública de saúde”.












