Mulher morta por ex no Sudoeste “lutou para não morrer”, diz PCDF

O ex-namorado da vítima, Alan Fabiano Pinto de Jesus, é suspeito do crime. Ele foi preso no Hospital de Base nesta terça-feira (24/12/2019)

atualizado 24/12/2019 18:14

Reprodução

A perícia da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu que Luciana de Melo Ferreira, 49 anos, “lutou para não morrer”. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da vítima, Alan Fabiano Pinto de Jesus (foto em destaque), 45. Ele está preso no Hospital de Base (HBDF) e não tem previsão de alta médica.

A informação foi repassada em coletiva de imprensa pelo delegado-chefe da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), Ricardo Viana. Para o investigador, não restam dúvidas de que o autor do crime é o ex-companheiro.

“As imagens mostram que o crime foi premeditado. Nos vídeos, ele aparece vigiando a vítima, monitorando a chegada da Luciana. Sabemos que ele ficou de campana à espera dela”, explicou.

Veja as imagens obtidas pela PCDF: 

O histórico de violência entre vítima e suspeito também é considerado indício de que o crime tenha sido premeditado. De acordo com Viana, Luciana foi morta com 40 perfurações por Alan, que trabalha como vigilante terceirizado.

“Em conversa com o médico descobrimos que Alan teria cometido o crime no sábado e, no domingo tomou posto em seu trabalho, no Ministério da Economia. Deu entrada na segunda-feira [22/12/2019] no Hran [Hospital Regional da Asa Norte] com traumatismo cranioencefálico. Na terça, foi transferido para o Hospital de Base. Segundo o médico, ele realmente tem microlesões no cérebro. Ele está aparentemente aéreo, viajante, diz não saber o que estava acontecendo e que desconhecia a vítima.”

A PCDF ainda desconhece o que teria provocado a lesão no suspeito. “Não podemos afirmar que o traumatismo tenha sido provocado durante a luta com a vítima. Ele não conseguiu falar nada, mas é fato que ele sofreu o trauma. Também é fato, e os peritos comprovaram, que a vítima lutou para não morrer”. Os investigadores não descartam a hipótese de que o trauma tenha sido provocado durante uma possível tentativa de suicídio de Alan.

“Covarde”

O ex-companheiro de Luciana foi flagrado pelas câmeras de segurança do edifício deixando o local com a bolsa de Luciana. Para o delegado, foi uma tentativa de desviar a linha de investigação da PCDF, dando a entender que o crime seria um latrocínio (roubo seguido de morte). Ao analisar a cena do crime, Viana classificou o episódio como “cruel, hediondo e covarde”.

Na tarde desta terça-feira (24/12/2019), policiais civis da 3ª DP vasculhavam a casa do suspeito em busca da arma do crime e do objeto furtado por Alan em sua residência, no Sol Nascente, em Ceilândia.

Alan deverá ficar por mais três dias no Hospital de Base, em decorrência do diagnóstico de traumatismo cranioencefálico. O tempo, segundo repassado pelo neurocirurgião ao delegado, é suficiente para que o suspeito fique em observação e seja melhor avaliado.

“Não estou sabendo”

O vigilante disse que “não se lembra” de como foi parar no HBDF. Em vídeo obtido pelo Metrópoles, Alan é questionado por um policial. Com o vigilante deitado sobre uma maca, o PM pergunta: “Você conhece a Luciana?”. Como resposta, ouve apenas “hum?”, seguido de silêncio.

O policial continua: “A Luciana, sua ex-namorada, foi morta com uma facada no peito. O senhor está sendo acusado de homicídio. Está sabendo disso?”. “Não estou sabendo de nada não”, diz Alan.

O vigilante é novamente questionado: “O que aconteceu com o senhor, que está aqui no hospital?”. “Eu estava no trabalho, no serviço, e do serviço eu vim pra cá”, responde.

“Mas o que aconteceu? Por que o senhor está com o olho roxo? Alguém te bateu? Foi acidente de moto, de carro?”, continua o policial. “Não lembro”, finaliza o vigilante.

Veja o vídeo:

Imagens do circuito do Bloco A10 da QRSW 2 mostram que o vigilante chegou no edifício de Luciana às 20h31 de sábado e abriu a porta com a senha de segurança.

Ele vestia um casaco com capuz. Às 22h32, a vítima chegou. Vinte minutos depois, o vigilante saiu do prédio levando uma bolsa da ex.

Os investigadores responsáveis pelo caso acreditam que ele levou a bolsa para simular latrocínio (roubo seguido de morte) e evitar suspeitas sobre ele.

O crime

O 33º feminicídio no DF em 2019 ocorreu no sábado, mas o corpo da vítima, que trabalhava no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), só foi encontrado nessa segunda, pela filha dela. No dia do crime, Luciana estava com a filha em um shopping do DF. A moça contou à polícia que a mãe a deixou na casa do namorado e foi embora.

Nessa segunda, ela voltou para casa, na QRSW 2 do Sudoeste Econômico, mas o imóvel estava trancado com chave tetra. Foi preciso chamar um chaveiro. Ao abrir a porta, a filha viu o corpo da mãe estirado no chão e acionou a polícia.

Tornozeleira

Alan usava tornozeleira eletrônica até 4 de dezembro. O motivo foi uma tentativa de homicídio contra Luciana. Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, o acusado teria provocado um acidente de carro de propósito para ferir a vítima quando ela disse que queria terminar o relacionamento. A tentativa de feminicídio ocorreu em outubro deste ano.

O vigilante a ameaçou de morte e jogou o carro em que ambos estavam contra uma árvore. Luciana pulou momentos antes da colisão e se feriu.

Na época, o homem, que é morador de Ceilândia, foi preso em flagrante e denunciado por violência doméstica. Ele passou semanas detido, até que a Justiça concedeu liberdade, mediante uso de tornozeleira eletrônica. Em 21 de outubro, foi realizada a audiência de custódia.

Para ser solto, Alan teve que, além de usar tornozeleira, pagar fiança de R$ 2 mil e se comprometer a manter distância de ao menos 500 metros da vítima. Em 4 de dezembro, a Justiça autorizou a retirada do dispositivo.

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