Moradores de rua: Celina diz que encaminhará projeto de internação compulsória humanizada
Avanço da presença de usuárias de drogas em situação de rua elevou a sensação de insegurança em pontos centrais da cidade, como a Asa Norte
atualizado
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A governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP) disse, nesta sexta-feira (17/4) que encaminhará para a Câmara Legislativa do DF (CLDF) um projeto para estabelecer protocolos de internação compulsória humanizada para usuários de drogas que estão em situação de rua ou em crise.
“Estamos elaborando um projeto. Vamos encaminhar à Câmara Distrital para a gente discutir isso com mais clareza. Porque nós precisamos dar condições para que nossas secretarias possam fazer as ações que são necessárias. Hoje há ações no Supremo e em tribunais sobre a abordagem. Então queremos mandar esse projeto para a Câmara para definir como vai ser feita essa abordagem. Para dar segurança jurídica para que nossos policiais, para que a nossa saúde pública também esteja nas ruas”, argumentou.
Celina comentou sobre as medidas durante o lançamento da obra para implantação das terceiras faixas na BR-070 DF/GO e da ordem de serviço da duplicação da BR-080 DF/GO, em Águas Lindas de Goiás (GO), nesta sexta-feira (17/4). A decisão ocorre após o avanço da presença de desabrigados e aumento da violência em pontos centrais da cidade, como a Asa Norte.
“Eu sou favorável a internação involuntária compulsória humanizada. No ano passado nós perdemos seis moradores de rua que se mataram entre eles. Com o quê? Com o vício. Pessoas que estavam com uso de drogas. Essas pessoas estavam inviabilizadas. O Estado precisa fazer sim a internação involuntária compulsória humanizada. Essa é a discussão que quero levar para a Câmara Distrital”, afirmou Celina Leão.
Celina lembrou do caso de senhor que foi assassinado em 2025, quando foi buscar uma refeição em um restaurante comunitário.
“Eu estava em uma palestra há um mês e a esposa dele, a viúva me abordou e tinha visto em veículo de comunicação sobre essa fala da internação humanizada. E ela falou comigo: governadora eu que sou a viúva. Eu estou com câncer. E meu filho é autista. Então, são personagens que muitas vezes são inviabilizados. E o Estado tem que fazer alguma coisa”, comentou.
De acordo com a governadora, famílias com condições financeiras internam seus familiares em clínicas, mas quem não tem condições acaba perdendo seus familiares.
“Por que eu como governadora não posso cuidar das pessoas? O Estado hoje tem dever até de cuidar dos animais. Por que não posso cuidar de um ser humano, desde que seja dentro de protocolos, com equipes médicas, psiquiatras? Essas pessoas estão morrendo no meio das ruas. E ninguém quer olhar. As pessoas só querem falar Direitos Humanos. Direitos Humanos de morrer? De continuar morrendo drogado no meio da rua? Sem eu poder fazer a abordagem? É essa discussão que eu quero fazer com clareza na Câmara Distrital”, argumentou.
Após a aprovação da lei, Celina afirmou que pretende instalar gabinetes de rua, com psiquiatras e psicólogos para analisar se as pessoas em situação de rua estão em estado de crise com necessidade de internação. Hoje segundo a governadora desabrigados em crise são amarradas, socorridas pelo Samu, muitas vezes quebram as UPAs.
“E depois são devolvidas às ruas. É um problema de Saúde Pública. A pessoa está com dependência química. Ela não pode ter uma internação de 5 dias em uma UPA. É como se fosse para descartar o problema emergencial”, ressaltou.
Violência na Asa Norte
Um dos pontos da capital onde a presença de pessoas em situação em rua e usuários de drogas avançou drasticamente é a Asa Norte. O Metrópoles noticiou como a população tem observado o avanço da violência e tem lidado com o medo perto de casa, em uma área antes considerada nobre na capital do país.
Segundo moradores e comerciantes, criminosos travestidos em pessoas em situação de rua deflagraram uma onda de crimes, tráfico e consumo de drogas na Asa Norte. Além, número de desabrigados explodiu. Muitos sobrevivem em condições sub-humanas, como zumbis.
Outros moradores adotaram táticas de guerra com a colocação de arames farpados e reforço drástico na segurança para evitar invasões.
Para o governo, o projeto que prevê internação compulsória humanizada pode ajudar a reduzir os índices de violência na região. Além disso, o governo lançou a Operação Permanência na Asa Norte.
“Nós estamos todos os dias na Asa Norte. Já reduzimos em mais de 50% o problema que existia na Asa Norte. Mas o nome da operação já fala: é permanência. Nós queremos voltar a normalidade da Asa Norte, inclusive temos operações durante a madrugada”, comentou Celina Leão.















