A tática de guerra de comerciantes para evitar arrombamentos na Asa Norte

Moradores e comerciantes dizem que criminosos infiltrados entre pessoas em situação de rua tomaram a Asa Norte. Medo prevalece nas quadras

atualizado

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Arame farpado em loja - Metrópoles
1 de 1 Arame farpado em loja - Metrópoles - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Comerciantes adotaram táticas de guerra para tentar conter a criminalidade na Asa Norte (DF). Revoltada com a impunidade e a desfaçatez de bandidos travestidos de pessoas em situação de rua, a dona de uma loja furtada na Quadra 704/705 Norte, por exemplo, instalou uma concertina – espécie de arame farpado enrolado – na grade do teto do subsolo do estabelecimento.

A estratégia foi adotada após vários episódios de arrombamento no comércio. A concertina foi amplamente utilizada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que militares costumavam fabricar os instrumentos a partir de arame farpado com intuito de proteger trincheiras.

Veja entrevista com a comerciante e vídeo do arrombamento:

 

A tática de guerra de comerciantes para evitar arrombamentos na Asa Norte - destaque galeria
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Lojista colocou arame farpado no teto do subsolo onde bandidos invadiram o local
Comerciante passou a andar com spray de pimenta
Criminosos não temem ser filmados
Segundo comerciantes e moradores, a Asa Norte voltou a ser insegura
Criminoso travestidos de pessoas em situação de rua comentem crimes na região
Comerciantes adotam táticas de guerra para conter o crime na Asa Norte
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Comerciantes adotam táticas de guerra para conter o crime na Asa Norte

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Lojista colocou arame farpado no teto do subsolo onde bandidos invadiram o local
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Lojista colocou arame farpado no teto do subsolo onde bandidos invadiram o local

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Comerciante passou a andar com spray de pimenta
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Comerciante passou a andar com spray de pimenta

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Criminosos não temem ser filmados
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Criminosos não temem ser filmados

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Segundo comerciantes e moradores, a Asa Norte voltou a ser insegura
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Segundo comerciantes e moradores, a Asa Norte voltou a ser insegura

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Criminoso travestidos de pessoas em situação de rua comentem crimes na região
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Criminoso travestidos de pessoas em situação de rua comentem crimes na região

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Do ponto e vista de Adenilton, se não forem adotadas medidas de segurança, a Asa Norte terá, em breve, uma insegurança parecida com a vista no Rio de Janeiro
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Do ponto e vista de Adenilton, se não forem adotadas medidas de segurança, a Asa Norte terá, em breve, uma insegurança parecida com a vista no Rio de Janeiro

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De acordo com Adenilton, os empresários pedem socorro
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De acordo com Adenilton, os empresários pedem socorro

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A dona da loja pediu para ter a identidade preservada. Por isso, receberá o nome fictício de Fernanda*. Além da concertina, a empreendedora decidiu adotar outras estratégias de segurança radicais. Em um ponto estratégico do estabelecimento, ela montou uma cama de pregos para punir os pés de eventuais invasores. O empreendimento foi furtado pela última vez no dia 31 de março de 2026, ocasião em que bandidos levaram máquinas, equipamentos, talheres e ferramentas. O prejuízo ultrapassou a cifra de R$ 4 mil.

“O subsolo está sendo usado como depósito. Entraram e levaram o que conseguiram”. Fernanda suspeita que os bandidos revenderam os objetos furtados para comprar drogas.

“Quando vi a loja depenada, comecei a passar mal. Sentei no chão e comecei a chorar esperando a polícia chegar. Tive despesa enorme para mudar para o Plano, e vem esse baque. Tive crise de pânico. Asa Norte não é segura e está entregue aos bandidos”, alertou.

A empresária registrou boletim de ocorrência, mas não observou mudança alguma no policiamento. “Vemos muitas pessoas em situação de rua. A gente suspeita que tem gente observando para repassar informações. Inclusive, furtaram recentemente outra loja aqui perto”, revelou. No domingo (12/4), Fernanda ficou assustada ao ver que bandidos tentaram invadir de novo a loja pela porta dos fundos.

Segundo a empreendedora, o número de pessoas em situação de rua é crescente e não há resposta eficiente do Poder Público para acolher as famílias em vulnerabilidade. De acordo com a empreendedora, muitos comerciantes não registram boletim de ocorrência porque deixaram de acreditar na capacidade das forças de segurança.

Seguindo o mesmo padrão da invasão na loja de Fernanda, recentemente criminosos invadiram o subsolo da loja de Adenilton Borges da Silva, de 47 anos, na Comercial da 106 Norte, com um pé de cabra. Arrebentaram a grade para entrar no estabelecimento, mas fugiram assustados porque havia um funcionário na hora do crime.

No entanto, poucos dias depois, voltaram e furtaram uma peça de alumínio do toldo do empreendimento, com valor estimado de R$ 800. Além disso, tentaram arrombar a porta da frente.

Rio de Janeiro, Páscoa e beco do crack

No entendimento de Borges, se medidas não forem tomadas, em breve a Asa Norte passará a viver uma rotina de insegurança semelhante à vista no Rio de Janeiro. “O temor dos comerciantes é vermos algo parecido com o Rio de Janeiro, onde a criminalidade chegou ao ponto de lojas e moradores contratarem seguranças particulares” pontuou.

Em pleno domingo de Páscoa, 5 de abril, por volta das 15h, comerciantes e moradores na 706/707 ficaram assombrados quando um criminoso estourou o vidro de um carro com uma pedra para pegar uma mochila. Segundo Jonas (*), o criminoso tinha as características de um pessoa em situação de rua. “Eles não têm medo. Foi em plena luz do dia, na Páscoa. Um dia depois, dois bandidos invadiram um imóvel residencial e levaram um ventilador”.

Comerciantes e moradores também colocaram arame farpado no “beco do crack”. O ponto de consumo cresce na 716 Norte a aproximadamente 1,5 km de distância da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) e de diversas escolas particulares tradicionais da capital. A região, que virou um eixo do crime, é um exemplo do avanço da criminalidade e da sensação de insegurança na Asa Norte. O Metrópoles recebeu um vídeo do descarado consumo de drogas em frente a um estabelecimento comercial na região. Confira:

 

 

 

Outro lado

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) respondeu que questões de segurança devem ser tratadas pelas autoridades competentes. “A pasta elucida que não existem dados ou estudos que comprovem que pessoas em situação de rua são delinquentes ou cometem delitos. É importante não generalizar para não estigmatizar ainda mais um público que já é muito vulnerável.”

A Sedes ainda frisou que não faz remoção de pessoas em situação de rua. “O papel deste GDF é garantir o acesso dessa população à rede de proteção social do Distrito Federal, o que tem sido tratado de forma transversal por meio do Plano Distrital para a População de Rua, pioneiro no Brasil, para criar vínculos, prestar atendimento, desenvolver autonomias e acelerar o processo de saída das pessoas das ruas no Distrito Federal. O documento é composto de medidas integradas de diversos órgãos, como a ação de acolhimento, que ocorre quase que diariamente em diversos pontos do DF.”

A pasta ainda disse possuir dois Centros Pop (Asa Sul e Taguatinga) que funcionam diariamente, a partir das 7h, “e servem como ponto de apoio durante o dia para quem vive ou sobrevive nas ruas”.

A Secretaria ressaltou também que acompanha, sistematicamente, as pessoas em situação de rua do DF, sobretudo as da Asa Norte, por meio de 26 equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas). Essa atuação inclui evolução de atendimento (criação de prontuário com abordagens frequentes), em que são ofertados acolhimento em unidades permanentes e possibilidade de pernoite no Hotel Social, que alcançou mais de 40 mil acolhimentos de pernoite desde sua inauguração. Também são oferecidos benefícios e encaminhamento para outras políticas públicas de Justiça, Saúde, Trabalho etc.

Já a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) destacou que a Asa Norte foi escolhida para o lançamento, recentemente, do programa Brasília Mais Segura, que consiste em intensificar o policiamento nos locais com maior incidência de consumo de drogas e de furtos durante a madrugada.

A pasta reconheceu que muitos criminosos se travestem de pessoas em situação de rua para cometer crimes e não serem reconhecidos. “A SSP-DF reconhece que a concentração de pessoas em situação de vulnerabilidade e o tráfico de entorpecentes em áreas comerciais elevam a percepção de risco. Um dos principais fatores é a infiltração de criminosos que utilizam essa vulnerabilidade como escudo para o tráfico de drogas e a prática de delitos, como o furto de cabos, por exemplo.”

(*) – Nomes fictícios

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