Moradores fazem relatos chocantes sobre tráfico de drogas na Asa Norte: “Parece invasão zumbi”

Segundo moradores e empresários, a Asa Norte foi invadida por criminosos travestidos de pessoas em situação de rua

atualizado

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Pessoa em situação de rua - Metrópoles
1 de 1 Pessoa em situação de rua - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Sem amparo, pessoas em situação de rua vagam entre as quadras 700 e 900 da Asa Norte. Muitos, entregues às drogas, como o crack, buscam esmolas e alimentos. Segundo moradores e comerciantes ouvidos pelo Metrópoles, as cenas são angustiantes. Para deixar a realidade ainda mais aterrorizante, bandidos costumam se infiltrar entre os desabrigados para cometer toda a sorte de crimes na região, a exemplo do que já ocorre no “beco do crack“, na 716 Norte.

A pedido dos entrevistados, os nomes serão mantidos em sigilo, e a reportagem usará nomes fictícios. Daniela (*) mora na 710/711 Norte. Em uma manhã de sábado deste ano, ela conta ter ficado chocada ao testemunhar o calvário de um rapaz em situação de rua. O jovem desabrigado começou a passar mal em plena luz do dia, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado para reanimá-lo.

“Olhei pela janela e o vi cambaleando, procurando coisas no chão. Não sei se ele tinha dormido embaixo das árvores. Pegou um saco de lixo e começou a colocar um monte de coisa dentro dele. A pessoa andava cambaleando, parecia um zumbi”, contou. Por volta das 7h, Daniela saiu de casa com o carro. Quando voltava, às 14h, testemunhou o jovem desmaiado no chão.

Segundo a moradora, não foi um episódio isolado. “Eles ficam para cima e para baixo recolhendo recicláveis com carrinhos. Estão sempre transitando para as 900, e muitos claramente sob efeito de drogas. Dá medo, porque a gente nunca sabe o que esperar de uma pessoa nessa situação”.

“Marcha”

Bruno (*) é um dos comerciantes das 700. Todas as noites, ele observa a marcha de pessoas em situação de rua pela Asa Norte sob efeito de drogas. “À noite, a partir das 22h, eles começam a invadir, e os traficantes sabem disso e se aproveitam. São muitos; parecem zumbis”, afirmou. O movimento de desabrigados é mais intenso entre as 707/907 e a 716/916 Norte.

Já Mariana (*), que também mora na região, diz que precisou pedir par alterar o horário de trabalho porque não sentia segurança em descer na parada da W3 Norte e seguir para as 700, onde mora. “Chegava por volta das 22h e dava muito medo. Nunca fui assaltada, mas já mexeram comigo e pediam dinheiro de forma intimidatória. Pedi ao meu chefe para entrar mais cedo. Pelo menos chego a minha casa com a luz do dia. É um pouco mais tranquilo”.

Outro lado

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) respondeu que questões de segurança devem ser tratadas pelas autoridades competentes. “A pasta elucida que não existem dados ou estudos que comprovem que pessoas em situação de rua são delinquentes ou cometem delitos. É importante não generalizar para não estigmatizar ainda mais um público que já é muito vulnerável.”

A Sedes ainda frisou que não faz remoção de pessoas em situação de rua. “O papel deste GDF é garantir o acesso dessa população à rede de proteção social do Distrito Federal, o que tem sido tratado de forma transversal por meio do Plano Distrital para a População de Rua, pioneiro no Brasil, para criar vínculos, prestar atendimento, desenvolver autonomias e acelerar o processo de saída das pessoas das ruas no Distrito Federal. O documento é composto de medidas integradas de diversos órgãos, como a ação de acolhimento, que ocorre quase que diariamente em diversos pontos do DF.”

A pasta ainda disse possuir dois Centros Pop (Asa Sul e Taguatinga) que funcionam diariamente, a partir das 7h, “e servem como ponto de apoio durante o dia para quem vive ou sobrevive nas ruas”.

A Secretaria ressaltou também que acompanha, sistematicamente, as pessoas em situação de rua do DF, sobretudo as da Asa Norte, por meio de 26 equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas). Essa atuação inclui evolução de atendimento (criação de prontuário com abordagens frequentes), em que são ofertados acolhimento em unidades permanentes e possibilidade de pernoite no Hotel Social, que alcançou mais de 40 mil acolhimentos de pernoite desde sua inauguração. Inclusive são oferecidos benefícios e encaminhamento para outras políticas públicas de Justiça, Saúde, Trabalho etc.

Já a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) destacou que a Asa Norte foi escolhida para o lançamento, recentemente, do programa Brasília Mais Segura, que consiste em intensificar o policiamento nos locais com maior incidência de consumo de drogas e de furtos durante a madrugada.

A pasta reconheceu que muitos criminosos se travestem de pessoas em situação de rua para cometer crimes e não serem reconhecidos. “A SSP-DF reconhece que a concentração de pessoas em situação de vulnerabilidade e o tráfico de entorpecentes em áreas comerciais elevam a percepção de risco. Um dos principais fatores é a infiltração de criminosos que utilizam essa vulnerabilidade como escudo para o tráfico de drogas e a prática de delitos, como o furto de cabos, por exemplo.”

(*) – Nomes fictícios

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