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Jovens universitários de classe média, moradores do Plano Piloto, foram presos na manhã desta quinta-feira (11/10) acusados de tráfico de drogas. O comércio ilegal era feito com ajuda de um aplicativo de celular. Na lista de transmissão do WhatsApp, os traficantes mantinham uma “lojinha virtual”, com preços e os tipos de entorpecentes caros e importados, chamados por eles de “passaporte da felicidade”.

Fotos e vídeos eram enviados aos clientes para mostrar a qualidade dos entorpecentes. Os traficantes vendiam apenas drogas sintéticas e maconha gourmet, potencializada e cara. Quatro acusados foram presos pela Polícia Civil do DF (PCDF) nesta quinta (11).

A investigação teve início com a prisão de um homem na 2ª fase da Operação Theya, coordenada pela 1ª Delegacia da Polícia (Asa Sul). Nesta terceira fase, cerca de 80 policiais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão.

Os quatro jovens foram presos durante a ação. À polícia, eles informaram que a droga encontrada com eles era para consumo próprio. O delegado-chefe adjunto da 1ª DP, João de Ataliba Neto, confirmou que os investigados têm 18 e 30 anos, são de classe média, e, em regra, estudantes universitários que não precisam do dinheiro do tráfico.

São usuários de drogas que também as revendem para sustentar o próprio vicio e obter lucro. Percebemos que eles ganham um certo status em meio aos usuários e ostentam em festas. As drogas comercializadas são mais potentes que as tradicionais, por isso, mais caras"
João de Ataliba Neto

Um dos entorpecentes é o LSD líquido. Apenas uma ampola é comercializada por até R$ 1,3 mil. Os investigados também vendiam o alucinógeno em forma de cristal.

Além de maconha e das drogas sintéticas, a Polícia Civil apreendeu R$ 9,7 em espécie. Os presos foram identificados como Luis Henrique Araújo Silva, 19 anos; Matheus Silva Cabral, 23; Ageu Lucas Silva, 27; e Vitor Silvestre da Costa, 20. Um outro suspeito não foi localizado pela polícia, pois está em Alto Paraíso (GO).

Roleta-russa
No último fim de semana, o Metrópoles mostrou que, a cada seis dias, uma nova droga sintética surge no mundo. Essas composições modificadas são comercializadas por traficantes como se fossem substâncias conhecidas, e a estratégia criminosa já chegou a Brasília. Uma delas é a n-etilpentilona, que matou a universitária Ana Carolina Lessa, 19, em 23 de junho de 2018.

O perito criminal da PCDF Luciano Arantes constata que, atualmente, apenas 5% dos selos apreendidos no DF são LSD. Dados do Instituto de Criminalística da PCDF mostram que, de 2009 a 2012, 100% das apreensões eram de LSD. Depois do primeiro semestre de 2013, o número caiu para 50%.

A partir de 2014, os peritos identificaram a comercialização dos NBOMes, conhecidos também como Smiles ou N-bombs, fortes alucinógenos sintéticos vendidos como alternativas ao LSD. Nesse grupo, estão a 25B-NBOMe, 25I-NBOMe e a 25C-NBOMe.

Todas essas substâncias submetem quem as usa a alto risco de overdose. Usuários relatam que, ao consumirem essas drogas, sentem grande confusão mental, coração acelerado e alucinações. Em 2014, a Anvisa incluiu 11 tipos de NBOMes na Portaria n° 344. Em 2016, também foi identificada a família NBOH: 25I-NBOH e 25B-NBOH, além do DOC.

Também conforme o Metrópoles mostrou em reportagem recente, de olho no alto poder aquisitivo de usuários do Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, traficantes do Distrito Federal passaram a apostar no tráfico de ervas geneticamente modificadas. As chamadas maconhas gourmet apresentam notas de limão, framboesa, cereja e de chocolate.

Investigações conduzidas pela Seção de Repressão às Drogas (SRD) da 1ª DP traçaram o perfil de compradores e de criminosos, além de terem identificado as principais variações que estão infestando festas na capital da República. As apurações policiais apontam que apenas um grupo seleto de usuários consegue acesso a esse tipo de maconha.

Uma pequena porção chega a custar R$ 1,4 mil. Ao contrário do produto vendido nas ruas e em bocas de fumo, as substâncias gourmet são negociadas em rodas de amigos. “Em quase 100% dos casos, quem vende e quem compra se conhece. Portanto, eles acreditam que se trata de uma transação segura”, explica o delegado-chefe adjunto da 1ª DP, Ataliba Neto.