Menino agredido em condomínio: testemunhas começam a ser ouvidas

Segundo a DPCA, que investiga o caso, os pais agressores serão os últimos a serem ouvidos pela PCDF

atualizado 14/12/2018 17:58

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) começou a ouvir as testemunhas do caso do menino agredido em uma quadra de esportes na Octogonal 4 no domingo (9/12). O primeiro a ser chamado, nesta sexta (14), pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), foi um rapaz que aparece nas imagens do circuito de segurança do condomínio pulando a cerca da quadra para socorrer a vítima.

O síndico também deve ser ouvido no fim desta tarde. Os pais acusados de segurar o menino de 6 anos, para que o filho batesse, e de empurrar o garoto serão os últimos a prestar depoimento, segundo informações da DPCA. Eles serão chamados pelos investigadores na semana que vem.

Os moradores da AOS 4, quadra em que um menino foi atacado  pelo casal, querem proibir a entrada da dupla no condomínio e protocolar ação de reparação pelo trauma causado às crianças e aos adolescentes que presenciaram o fato.

A decisão será tomada na próxima quarta-feira (19), durante assembleia. As propostas foram discutidas nesta sexta (14). Alexandre Campos de Jesus e Danielle Cavalcanti dos Santos, os pais agressores, devem prestar esclarecimentos na próxima semana ao Conselho Tutelar do Sudoeste. Depois, o órgão vai enviar o caso ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

Luisa Guimarães/Metrópoles

Dos 2.500 moradores, é necessário que a próxima assembleia tenha um quórum de 120 pessoas para aprovar as medidas. Guilherme Almeida de Oliveira, advogado do condomínio, explicou que o encontro desta sexta teve por objetivo discutir os dois pontos que serão levados a todos. “Em decorrência do ato, as crianças estão assombradas. Queremos garantir a proteção integral de todos os moradores”. De acordo com ele, “a ação visa reparar danos psicológicos. As crianças têm medo de descer, ficam angustiadas, perguntam se os agressores irão voltar”.

“Essa reunião de hoje foi emergencial para pensar no que podemos fazer para remediar o problema. Queremos fazer uma colônia de férias e contratar uma psicóloga para trabalhar a situação com as crianças”, completou o síndico Mauro Assunção de Camargo.

O condomínio estuda, ainda, entrar com ação de danos em função de a imagem da quadra ter sido prejudicada com a atitude do casal. Moradores de Águas Claras, eles visitavam o pai de Danielle quando desceram para agredir um menino de 6 anos porque acharam que o garoto havia batido no filho deles. O fato ocorreu no domingo (9).

Violência
“Não é assim que se resolvem conflitos. Se o pai tivesse perguntado ao filho o que aconteceu, nada disso estaria acontecendo. Fica a lição para a gente não usar a violência. Imagina se esse homem tivesse porte de arma. Estaríamos aqui falando de uma tragédia bem maior”, disparou a tia do menino, Jucinea Nascimento. O pequeno de 6 anos mora na Bahia, mas está de férias na casa da parente.

De acordo com a tia da vítima, o menino está traumatizado. Ele vai embora na segunda (17), com a avó. “Lá, ele fará acompanhamento psicológico”. “O fato não abalou só a minha família, abalou a todos do condomínio”, ressaltou.

Renata Marques, enfermeira e mãe de um menino de 9 anos, soube da agressão pelo grupo da quadra e disse que ficou estarrecida: “Como é que seres humanos adultos são capazes de fazer isso. É de uma brutalidade, uma vergonha de nível nacional. Não temos só duas vítimas, temos centenas de crianças com medo de descer, de brincar. Espero que esses pais reflitam sobre o que fizeram e aprendam que violência nunca é o melhor caminho”.

Alexandre não atendeu as ligações e Danielle desligou assim que a reportagem se identificou.

Veja o vídeo da agressão:

 

 

Segundo a DPCA, os autores, a princípio, responderão pelo crime de lesão corporal, cuja pena inicial prevista é de 3 meses a 1 ano, podendo ser aumentada em razão da idade da vítima. Há, ainda, a possibilidade de serem indiciados por ameaça e por terem submetido o próprio filho a constrangimento, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Entenda o caso
O filho do casal agressor caiu durante uma brincadeira de bola na quadra poliesportiva do residencial, fato que levou os pais a retaliarem fisicamente o outro menino. O circuito de câmeras mostra que o garoto tropeçou sozinho e bateu a boca no chão. Momentos depois, o pai aparece na quadra em busca da outra criança que participava da brincadeira.

O homem segura os braços do pequeno para o filho dar um soco no rosto da criança. Em seguida, uma mulher, supostamente a mãe, empurra a vítima no chão e os três vão embora. Ao Metrópoles, o garoto agredido revelou: “Na hora, só queria ir embora”.

Em um grupo de mães de uma rede social, a tia da criança agredida narrou que o outro menino caiu na quadra e subiu para o apartamento dos avós com a boca sangrando. Em seguida, ele voltou nos braços dos pais e teria acusado o sobrinho de tê-lo agredido.

“Esse pai torceu os braços do meu sobrinho para trás, da forma como a polícia faz com bandidos, e obrigou o seu filho a dar um soco no rosto dele, que já estava muito assustado com a situação. Após o meu sobrinho levar um soco no rosto, continuou acuado no canto da quadra, quando a mãe do menino, não satisfeita com a atitude do marido, foi na direção dele e o empurrou, jogando-o no chão”, disse a tia.

Jucinea ainda reforçou que o homem aparece nas imagens com duas sandálias nas mãos, ameaçando a criança. Ao procurar os agressores, ela disse que foi destratada e recebida aos berros pelos pais e avós do menino, que a acusaram de não dar educação ao sobrinho.

“As cenas são deprimentes, é estarrecedor ver dois adultos partindo pra cima de uma criança de 6 anos, totalmente indefesa e acuada. Ver meu filho e sobrinhos no canto da quadra chorando sem saber o que fazer. E o pior, meu sobrinho não tocou na criança que se machucou, foi um acidente normal de um jogo inocente de bola”, desabafou.

Comovido com a agressão cometida pelo casal contra a criança de apenas 6 anos, um grupo de mães moradoras da Octogonal marcou uma manifestação para o próximo domingo (16), a partir das 17h, na quadra poliesportiva onde o pequeno levou um soco no rosto.

 

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