Márcia Abrahão, reeleita na UnB: maior desafio é a retomada após a pandemia

Professora diz que não tem perspectiva para retorno presencial e aponta os apertos orçamentários como preocupação para os próximos anos

atualizado 27/08/2020 15:22

Márcia Abrahão, reitora da UnBVinícius Santa Rosa/Metrópoles

Márcia Abrahão foi reeleita como reitora da Universidade de Brasília (UnB), com vitória entre estudantes, técnicos e docentes, para o mandato até 2024. Após um desempenho com 16.325 votos (54,01% do total), ela conversou com a reportagem do Metrópoles e afirmou que estava otimista com a eleição e com os próximos anos.

“A universidade sai bastante unida dessa eleição. Fizemos uma campanha propositiva e alegre, como é a nossa característica”, afirmou, destacando agradecimento especial ao “parceiro e vice”, professor Enrique Huelva.

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De acordo com Márcia, o maior desafio para os próximos quatro anos é a retomada do ensino em razão da pandemia do novo coronavírus. Principalmente por que, em uma universidade com mais de 50 mil pessoas, há diversas realidades.

“Fizemos uma pesquisa mostrando que mais de 70% dos nossos estudantes vão para a instituição de ônibus. Com essas pessoas todas circulando ao mesmo tempo na cidade e no Entorno, seríamos disseminadores da doença. Todo o nosso trabalho é para que a UnB ajude a sociedade a não ampliar a pandemia”, explica.

Plano de cinco etapas

Márcia não titubeia ao afirmar não saber quando acontecerá a retomada presencial das aulas. “Mas já temos um plano em cinco etapas e acho que os próximos dois anos vão ser para colocar esse plano em ação. A tendência é ter uma convergência maior do ensino presencial e a distância.”

Abrahão também citou que a questão orçamentária é uma preocupação para os próximos anos. “Vamos dar continuidade ao que está dando certo e rever outras questões. Ainda não é possível precisar como será”, afirmou, sem citar números. Por isso mesmo, os olhos devem estar voltados para os estudantes que precisam de auxílio.

“Vamos continuar com esse olhar da excelência acadêmica de inclusão aos estudantes que têm vulnerabilidade socioeconômica e cuidando da nossa comunidade. Esse foi e tem sido o tom da nossa gestão”, afirmou.

Para ela, outro desafio vencido foi o da eleição ocorrer uma semana após a retomada do ensino de forma remota. “Concorremos contra três que estavam criticando o tempo inteiro. Felizmente, porque fizemos uma campanha sem criticar e achamos que a universidade tem que estar acima dessas questões de rivalidades”, defendeu.

“Ainda estamos na fase de ambientação, que estipulamos em três semanas, mas a retomada está sendo um sucesso e muito acima das nossas expectativas”, acrescentou.

Preparação dos professores

Márcia Abrahão frisou que houve preparação dos professores. “Treinamos mais de mil docentes desde março. Temos algumas particularidades em cursos com disciplinas práticas e de campo. Os professores tiveram que reformular as disciplinas para o não presencial e algumas turmas foram canceladas”, explicou.

Ela lembrou da abertura do edital de inclusão digital para os alunos de baixa renda. “Conseguimos atender todos os estudantes que se inscreveram. Agora, abrimos outro edital para quem perdeu o primeiro. Temos dificuldades, mas está tudo caminhando bem.”

Sobre a divisão política dentro da universidade, a reitora diz que a guerra que existia até a eleição anterior, hoje não se vê mais. “Isso mostra também como tivemos apoio dos diretores de quase todos os institutos e faculdades. Logicamente, existem divergências, mas, hoje em dia, muito pontuais.”

“Fico feliz pela comunidade ter entendido todas as decisões que a Reitoria tem que tomar. É uma união que a universidade demonstrou ter”, finalizou.

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