Manifestantes tentam ocupar ministério e PM reage com spray de pimenta. Veja vídeo

Ato de movimentos por moradia ocorreu nesta terça (9/6). PMDF alega tentativa de invasão, enquanto manifestantes relatam reação truculenta

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Ana Clara de Lima/Metrópoles
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1 de 1 ato-no-ministerio-das-cidades-9-de-junho - Foto: Ana Clara de Lima/Metrópoles

O Ministério das Cidades teve na manhã tumultuada nesta terça-feira (9/6). Manifestantes de diversos movimentos urbanos por moradia realizaram um ato na porta da sede da pasta, na Esplanada dos Ministérios, e foram contidos com spray de pimenta pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). As versões sobre o início do confronto se contrapõem: a corporação afirma que houve tentativa de invasão, enquanto os militantes negam qualquer intenção de ocupar o prédio.

Veja imagens do tumulto:

A PMDF informou ao Metrópoles que os manifestantes tentaram invadir a sede do ministério, mas foram controlados pelas equipes de segurança. Não há registro de detidos. Por outro lado, integrantes do movimento relatam que o ato ocorria de forma pacífica debaixo da marquise da sede.

De acordo com a versão dos manifestantes e com vídeos cedidos ao Metrópoles, o tumulto começou quando os policiais saíram de dentro do prédio para formar um cordão de isolamento na entrada e iniciaram o uso do gás de pimenta.

“Hoje resolvemos ir para o Ministério das Cidades para poder, aqui de perto, tentar o diálogo, quando fomos recebidos novamente pela Polícia Militar de maneira muito truculenta”, afirmou Thiago Gallo, coordenador da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM-SP).

Membros de diferentes entidades que integravam o protesto reforçaram que o público presente incluía pessoas vulneráveis e que o objetivo principal era a interlocução com o governo federal, e não o confronto. Fábio Padilha, membro da Central Única das Favelas (Cufa), também contestou a narrativa de que o grupo tentou forçar a entrada no edifício público.

“A gente estava embaixo da marquise, em momento nenhum entramos. A polícia já saiu jogando gás em quem estava ali na frente. Quem estava ali era idoso, tinha umas senhoras, crianças perto da porta, mas em momento nenhum a gente entrou. A gente ficou na marquise, discursando, conversando com o pessoal”, relatou Padilha.

O integrante da Cufa acrescentou que a presença de manifestantes perto do vidro não configurava uma invasão: “Tinha pessoas com a mão no vidro, mas de maneira nenhuma tentando forçar a porta. Como eu falei, é um ato pacífico. A gente acredita que o governo esteja do nosso lado, junto com o povo”.

Poliana Souza, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), repudiou a falta de diálogo e a truculência da abordagem policial logo no início da manhã. “Nós, 350 famílias, estamos aqui na porta do ministério. Em vez de a gente ser recebido com uma proposta de reunião para resolver o problema, fomos recebidos pela Polícia Militar, que jogou bomba e spray de pimenta nas pessoas, ameaçando retirar todas elas da porta. Um ministério que devia ter as portas abertas para receber o povo nos recebeu com repressão”, desabafou Poliana.

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PMDF interviu após tentativa de invasão
Manifestantes pedem mais moradias por meio de programas habitacionais
Ninguém foi detido
Grupo protesta em frente ao Ministério das Cidades
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PMDF interviu após tentativa de invasão
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PMDF alega tentativa de invasão

Em resposta à reportagem, a Polícia Militar do DF afirma que houve tentativa de invasão ao ministério. “Manifestantes tentaram invadir, mas [a situação] foi controlada”. “[Não houve] nenhum detido”, concluiu.

O tumulto também afetou quem trabalha no local. Um funcionário do ministério relatou que chegava para o expediente por volta das 9h50, logo após estacionar o carro, no exato momento em que o movimento se deslocava em direção ao prédio.

Segundo o servidor, a intervenção policial foi rápida para conter o grupo, mas a dispersão envolveu o uso de gás (pimenta ou lacrimogêneo). Por conta da proximidade com a entrada, o trabalhador acabou atingido pelos efeitos da substância e ficou temporariamente impedido de acessar o edifício.

Mais reivindicações do movimento

O protesto em Brasília faz parte de uma mobilização nacional iniciada na segunda-feira (8/6), que reúne entidades como o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o Movimento por Trabalho e Direitos (MTD), a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), a União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM).

A principal pauta das organizações é a ampliação das contratações do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). Segundo as lideranças, os movimentos sociais se mobilizaram em todo o país e apresentaram cerca de 100 mil propostas de unidades habitacionais que cumpriram todas as exigências técnicas e foram devidamente enquadradas pela Caixa Econômica Federal. No entanto, o governo federal sinalizou que o orçamento atual permite selecionar apenas cerca de 30% a 35% desse total (entre 21 mil e 35 mil moradias).

Os manifestantes criticam o que chamam de contradição entre o discurso oficial de valorização da participação popular e a prática orçamentária. Eles apontam que, se mantida a atual linha de corte, a modalidade gerida diretamente pelas comunidades representará apenas 2,16% de todas as contratações da gestão federal. O restante das verbas continua destinado aos modelos tradicionais do programa, controlados por grandes construtoras e pelo mercado imobiliário.

“São mais de 8 milhões de famílias sem teto no Brasil. O governo federal precisa decidir se governa para o povo pobre trabalhador ou se continua governando para quem já tem muito dinheiro. O programa tem servido para fomentar a construção civil no país, e não para resolver o déficit habitacional”, cobrou Poliana Souza, da Coordenação Nacional do MLB.

Embora o Ministério das Cidades tenha sinalizado a abertura de uma mesa de negociação após o tumulto na entrada do prédio, os movimentos sociais ressaltam que a pasta sofreu cortes orçamentários recentes. Por isso, os manifestantes querem uma agenda direta com a Casa Civil e com a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), órgãos que detêm o controle político sobre o remanejamento e a ampliação de recursos públicos.

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