Mais dois são presos por “venderem” Passe Livre no DF

O flagrante foi feito na Rodoviária do Plano Piloto nesta sexta-feira (15/2)

Felipe Menezes/MetrópolesFelipe Menezes/Metrópoles

atualizado 15/02/2019 19:46

A Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, nesta sexta-feira (15/2), mais dois homens em flagrante na Rodoviária do Plano Piloto, após eles serem surpreendido “vendendo” Passe Livre.

Os suspeitos foram autuados por crime de estelionato contra o Estado, que prevê penas de 1 a 5 anos de prisão. Para a operação, a Corf contou com apoio da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle, da Secretaria de Mobilidade.

Na quinta (14), a unidade da PCDF havia deflagrado outra operação para coibir o uso indevido do Passe Livre no DF. Quatro pessoas foram presas na ocasião. Eles estavam “vendendo” o direito à passagem, ou seja, recebiam R$ 5 em dinheiro e passavam o cartão na catraca para terceiros. Os acusados não têm antecedentes criminais.

A batida policial também ocorreu na Rodoviária do Plano Piloto e contou com o apoio da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa), da Secretaria de Mobilidade. Com os presos foram encontrados sete cartões de outras pessoas, beneficiárias do Passe Livre, Cartão + Especial (para pessoas com necessidades especiais), vale-transporte e Cartão Cidadão.

Segundo a Polícia Civil, os presos informaram que os donos dos cartões sabiam da “venda” e ficavam com uma parte do dinheiro. Eles também serão indiciados e perderão os benefícios.

De acordo o subsecretário da Sufisa, Marrison Dantas, os acusados costumavam atuar nas proximidades do BRT. “É o principal ponto onde esses crimes ocorrem, pela facilidade de acesso à catraca. No caso dos ônibus, a identificação desse delito é mais difícil. Mas se o cobrador perceber, ele deve reter essa ação”, explica Dantas.

Somente no início deste ano, o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) bloqueou 27,7 mil cartões de usuários do transporte público por indícios de fraudes. O prejuízo estimado é de R$ 8,5 milhões por mês.

Foram identificadas situações como, por exemplo, o cartão de um idoso ter sido usado 63 vezes em um único dia, o que indica a “venda” das passagens. Na semana passada, um usuário chegou a ser levado à polícia para explicar como conseguiu vários cartões de Passe Livre, todos com a mesma foto.

Segundo o DFTrans, há indícios de que ele usava os bilhetes para vender acessos a outros usuários por valor mais barato do que o preço normal da passagem. O suspeito negou e disse que emprestava os cartões para familiares. Um levantamento realizado pela autarquia mostrou que o beneficiário realizou 8,4 mil embarques desde 2011, todos com cartões nos quais constam nomes e CPFs diferentes.

Os cartões com suspeitas de fraude correspondem a 7,5% do total de embarques no sistema de transporte público do Distrito Federal. A suspeita do DFTrans é que esses usuários tenham vendido as passagens no momento da integração.

Atualmente, os cartões de Passe Livre Estudantil e o Cartão + Especial, para pessoas com necessidades especiais, são bloqueados automaticamente quando usados em quantidade acima do previsto no cadastro. A ideia é ampliar esse mecanismo para outros tipos de cartões, como vale-transporte, idoso e, também, aos usuários comuns.

A operação ocorre num momento em que a gratuidade no transporte público está sendo discutida na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Na semana passada, o governador, Ibaneis Rocha (MDB), enviou projeto à Casa para limitar o Passe Livre Estudantil.

O Palácio do Buriti propôs a gratuidade no transporte para todos os alunos da rede pública. Ainda terão direito ao Passe Estudantil, conforme a proposta, os estudantes de unidades particulares: que possuírem renda familiar total inferior a quatro salários mínimos (atualmente em R$ 3.992), vigentes à data da concessão do benefício; detentores de bolsa de estudo; beneficiários de programa de financiamento estudantil; e diretamente ou por intermédio de, ao menos, um dos seus pais beneficiários de programas de assistência social custeados pelo DF ou pela União.

Há também previsão de limitação para até 27 trajetos por mês, considerados, assim, deslocamento residência–escola–estágio–residência realizado diariamente pelo estudante, compreendendo uma ou mais viagens. Com as mudanças, o governo prevê economizar entre R$ 110 milhões e R$ 150 milhões por ano.

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