Máfia das Próteses: PCDF prende médicos em nova operação
Ação da Cecor apreendeu veículo da marca Porsche, modelo Cayenne, na manhã desta sexta-feira (03/05/2019)

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira (03/05/2019), a quinta fase da Operação Mr. Hyde. A investigação apura a ação de uma organização criminosa acusada de fraudar planos de saúde e mutilar pacientes submetidos a cirurgias desnecessárias com materiais de baixa qualidade.
Seis mandados de prisão e 15 de busca e apreensão são cumpridos por policiais da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes Contra a Administração Pública e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Cecor), no DF e em São Paulo. Entre os detidos, estão médicos e testas de ferro do esquema.
Um veículo da marca Porsche, modelo Cayenne, está entre os bens apreendidos. O carro avaliado em R$ 130 mil está em nome da empresa A&C Clínica Médica Ltda., localizada em Sobradinho. H
De acordo com os investigadores, a máfia faturava com o fornecimento de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs) ao grupo. Quanto mais equipamentos caros eram usados em cirurgias para colocação desses materiais, maior era a propina recebida por médicos envolvidos no esquema. Eles chegavam a faturar 30% extras sobre o valor pago pelos planos de saúde pela intervenção nos pacientes.
Desde que o caso veio à tona com a deflagração da primeira fase, em 1º de setembro de 2016, centenas de vítimas do esquema procuraram a polícia para prestar depoimento. Os relatos incluem mutilações e tentativa de homicídio, segundo consta no inquérito. Naquela data, 13 pessoas foram presas, incluindo médicos acusados de participar do esquema.
O esquema
Uma das empresas acusadas de lesar os pacientes com material de baixa qualidade é a TM Medical, de propriedade de Johnny Wesley Gonçalves. Ele é apontado pelas autoridades como líder da organização. O grupo criminoso teria movimentado milhões de reais em cirurgias, equipamentos e propinas.
Há casos de pacientes que foram submetidos a procedimentos desnecessários, como sucessivas cirurgias. Dessa forma, os suspeitos tinham mais lucro. Em outras situações, conforme revelado pelas investigações, eram utilizados produtos vencidos e feita a troca de próteses mais caras por outras, baratas.
Novas fases
Em outubro de 2016, o alvo da segunda fase da Mr. Hyde foi o Hospital Daher. Segundo as investigações, o dono da unidade de saúde, José Carlos Daher, teria participação ativa no esquema. O MPDFT chegou a pedir a prisão temporária dele por suspeita de destruição de provas, mas a solicitação foi negada pela Justiça. No entanto, o empresário, de 71 anos, chegou a ser detido por posse ilegal de uma pistola de uso restrito do Exército e das polícias Federal e Militar.
Na terceira fase da Mr. Hyde, a polícia prendeu o médico Fabiano Duarte Dutra por suspeita de atear fogo em documentos que poderiam servir como provas. Após a prisão, ele foi exonerado do cargo de Coordenador de Ortopedia da Secretaria de Saúde do DF. Na época, a pasta informou não haver indícios de que as práticas ilegais também ocorressem na rede pública.
Em novembro de 2016, foi deflagrada a quarta fase. A operação foi acompanhada pela Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Os investigadores cumpriram dois mandados de busca e apreensão e dois mandados de condução coercitiva em cumprimento à decisão da 2ª Vara Criminal de Brasília.
Eles apuraram a atuação dos médicos Marcelo Gonzaga Peres e Marco Antônio Alencar de Almeida, integrantes do plano de saúde da PMDF. Os envolvidos tinham participação direta na concessão de autorizações para cirurgias pelo plano de saúde.

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