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A Justiça mandou soltar José Carlos Daher,  71 anos. Suspeito de participação na Máfia das Próteses, o dono do Hospital Daher, que fica no Lago Sul, foi preso nesta quinta-feira (6/10) por porte ilegal de arma restrita. A defesa pediu a soltura do cirurgião plástico por conta da idade dele. A liberação foi concedida após o apagamento de fiança arbitrada em R$ 30 mil, o repasse foi feito para a Justiça. A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do empresário durante a segunda fase da operação Mr. Hyde.

O empresário foi solto durante a madrugada desta sexta-feira (6/10). O Justiça considerou que o médico não tem antecedentes criminais, a arma não estava municiada, além da idade dele. José Carlos Daher não chegou a ser recolhido à penitenciária da Papuda. Ele permaneceu na Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) enquanto o flagrante estava sendo feito.

Outras armas
José Carlos Daher foi autuado por porte ilegal de arma, com pena prevista de três a seis anos de reclusão. Além da pistola, a Polícia Civil retirou malotes com documentos e equipamentos eletrônicos da residência do médico. Ele foi à delegacia no próprio carro, sob escolta policial. Durante a revista na casa, foram encontradas outras sete armas. No entanto, todas tinham registro e não foram apreendidas.

Segundo o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), o Hospital Daher faz parte de um grupo acusado de fraudar pacientes e planos de saúde, que passavam por cirurgias desnecessárias e com materiais de órteses e próteses de baixa qualidade, para que pudessem aumentar seu lucro. Apenas neste ano, eles teriam atingido 100 pessoas.

Relação com a TM Medical
Os investigadores constataram que a relação comercial entre o Daher e a TM Medical, que fornecia as próteses, órteses e outros equipamentos, estava contaminada pelo esquema de corrupção. Em um e-mail de 2009, a qual os promotores tiveram acesso, o cirurgião plástico José Carlos Daher confirma as relações com Johnny Wesley, apontado como sócio da TM Medical e preso na primeira fase da operação. “Ele (Johnny Wesley) quer operar 50% de seus casos no nosso hospital, o que corresponde a três pacientes por mês”, escreveu.

“As primeiras gravações já apontavam o envolvimento do Hospital Daher”, explicou o promotor Maurício Miranda, da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (ProVida), durante entrevista coletiva na quinta, para explicar os detalhes da segunda fase da operação Mr. Hyde.

O advogado do Hospital Daher, Ivo Teixeira Gico Júnior, afirmou que “a família está colaborando 100% com as investigações, mas ainda não há o que comentar porque eles não sabem do que se trata a operação”. Gico ressaltou que, “assim que souber, prestará todos os esclarecimentos”.

Segundo o delegado Luiz Henrique Dourado, da Deco, dos sete mandados de de condução coercitiva expedidos na quinta, apenas um ainda não foi cumprido, o da ex-funcionária do Daher Ana Maria Monteiro Machado. “Contudo, ela já informou para a delegacia que vai comparecer à unidade para prestar os esclarecimentos”, explicou o policial.

De acordo com ele, a policia vai intimar, nos próximos dias, mais funcionários do Daher para depor. Com a divulgação do caso, o delegado espera que apareçam novas denúncias.

 

 

 

 

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