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Mãe que perdeu 3 filhas em incêndio tenta marcar psiquiatra há 1 ano

Paciente também perdeu a mãe e uma irmã na tragédia. Além de não receber o tratamento, ela teme perder auxílios do governo

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Mãe e filhas - Metrópoles
1 de 1 Mãe e filhas - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Em agosto de 2024, Gracione da Conceição Silva, de 31 anos, perdeu três filhas, a mãe e uma irmã em um fatídico incêndio, em Planaltina. A tragédia e a dor transformaram a vida mulher, que precisou ser encaminhada para tratamentos com psicólogo e psiquiatra. Mas, mesmo após tanto sofrimento, ela nunca conseguiu ser atendida por um profissional no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Veja:

Mãe que perdeu 3 filhas em incêndio tenta marcar psiquiatra há 1 ano - destaque galeria
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Além das três filhas, a paciente perder a mãe e uma irmã
Segundo a paciente, o tratamento é necessário para sua saúde mental e para a continuidade do auxílio do governo
Mãe de crianças morta em incêndio trágico não recebe tratamento pelo SUS
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Mãe de crianças morta em incêndio trágico não recebe tratamento pelo SUS

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Além das três filhas, a paciente perder a mãe e uma irmã
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Além das três filhas, a paciente perder a mãe e uma irmã

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Segundo a paciente, o tratamento é necessário para sua saúde mental e para a continuidade do auxílio do governo
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Segundo a paciente, o tratamento é necessário para sua saúde mental e para a continuidade do auxílio do governo

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O fogo matou Kathleen Vitoria da Conceição Silva, 14 anos, Marybella Marinho da Silva, 9, e, Sophya Hellena Conceição Costa, 8, filhas de Gracione. O incêndio também ceifou a vida de Eulália Narim da Conceição, 5, e de Ione da Conceição Silva, 46, irmã e mãe da paciente, respectivamente. Segundo investigação da Polícia Civil (PCDF), não houve indícios de ação criminosa. As chamas teriam começado com uma vela acesa.

Sem o acolhimento e o tratamento para a saúde mental, Gracione é consumida pela dor. Além disso, corre o risco de deixar de receber a medicação psiquiátrica necessária para aguentar o trauma, bem como o auxílio de R$ 600 mensais. “Desde a tragédia, era para eu ter acompanhamento pelo Caps no DF. Só que não consegui. Passei por uma triagem há um ano. Falaram que iriam entrar em contato comigo, e estou esperando até hoje”, contou.

Diante do sofrimento de Gracione, familiares conseguiram atendimento em um Caps no Maranhão (MA). A paciente chegou a começar o tratamento, mas a rotina de viagens ficou insustentável, seja pelo gasto com passagens, seja pelo desgaste e cansaço. Ela tentou seguir sozinha e até conseguiu um emprego, em setembro de 2025, mas a dor da perda, especialmente das filhas, falou mais alto. Sem o tratamento, a mulher não conseguiu manter-se no trabalho.

“Eu tentei trabalhar, mas não consigo sair da cama. Eu preciso de um tratamento”, pontuou.

“Procurei o Caps do DF, mas aí falaram que preciso passar por outra triagem para começar a ser atendida”, desabafou. Sem os laudos, a paciente teme não conseguir pegar mais a medicação no posto de saúde. “Só consigo dormir com a medicação. Para passar o dia, também só consigo com a medicação”, relatou. A paciente toma três fluoxetina durante o dia, 20 gotas de clonazepam à noite, além de haloperidol e pamergan.

Além da falta de atendimento no Caps, ela busca informações sobre os auxílios a que tem direito. Segundo Gracione, após a tragédia, a equipe do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) teria dito que ela receberia um auxílio por cada parente morta. Mas, na prática, ela recebeu apenas de um.

A tragédia

O incêndio aconteceu em 12 de agosto de 2024. A família vivia em um terreno com dois barracos. Dona Ione era devota das almas e acendia velas toda segunda-feira. Naquele dia, Gracione sentiu fortes dores de dente. E, por isso, deitou. “Minha casa era bem no fundo. Quando me dei, o fogo já tinha tomado conta de toda a casa da minha mãe. Do quarto, da sala, da cozinha”, contou.

Gracione tentou salvar a família, mas não conseguiu. “É uma dor muito grande e uma saudade que não tem fim”, afirmou. Logo após desabafar, a paciente chorou. “Para mim, o governo não me deu o apoio que disse que ia me dar. No começo, disseram que eu seria acompanhada por psiquiatra, psicólogo no Caps. Mas não fui acompanhada por ninguém”, revelou.

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com as secretarias de Saúde (SES-DF) e de Desenvolvimento Social (Sedes). Em nota, a Saúde disse que a paciente chegou a receber atendimento. Veja a baixo:

A Secretaria de Saúde informa que a paciente em questão foi acolhida no CAPS. Em abril de 2025, a equipe foi informada, em busca ativa pela paciente, que a mesma mudou para o Maranhão. A pasta esclarece que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) funcionam em regime de portas abertas, acolhendo o paciente sempre que necessário e promovendo o cuidado contínuo, sem limite de tempo, de acordo com as necessidades de cada caso. Dessa forma, a paciente pode ir diretamente ao CAPS da sua região para que haja o atendimento. A assistência é prestada por equipe interdisciplinar, composta por psiquiatras, clínicos gerais, pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, equipe de enfermagem e farmacêuticos, conforme a modalidade do serviço.”

A Sedes, também por nota, disse que em virtude da Lei Geral de Proteção aos Dados (LGPD), não seria possível informar sobre prontuários da paciente.

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