Leilão fracassa e Hotel Nacional não é vendido mesmo após 3 tentativas

Decadente, o hotel que já foi ícone de sofisticação em Brasília era ofertado pela metade do valor de avaliação, mas não recebeu lances

atualizado 27/11/2018 16:27

Igo Estrela/Metrópoles

Mesmo após três tentativas, o Hotel Nacional de Brasília, que já foi ícone de sofisticação na capital federal, não foi arrematado no leilão realizado pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo. A disputa foi encerrada às 15h desta terça-feira (27/11).

Na última rodada, o hotel era ofertado por R$ 92,9 milhões, metade do valor inicial. Ainda assim, nenhum dos nove participantes habilitados no leilão fizeram lances. A página na qual a disputa era realizada teve mais de 5,5 mil visualizações. Com o fracasso do leilão, a Justiça ainda não informou o que será feito da propriedade.

Decadente, o hotel foi leiloado a contragosto da família Canhedo, proprietária do imóvel, para o pagamento de uma dívida da Petroforte Petróleo LTDA, uma falida distribuidora de petróleo brasileira.

Uma diária no hotel 
No período em que a propriedade estava à venda, o Metrópoles se hospedou durante 24 horas no imóvel, na véspera do feriado do Dia da Proclamação da República, em 15 de novembro, e constatou que o glamour em torno do ícone do Setor Hoteleiro Sul ficou para trás.

O valor pago por uma diária foi R$ 165, preço maior que o da reserva on-line, a partir de R$ 150, para um adulto. No Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, ao qual o Hotel Nacional já foi comparado, uma diária na mesma data custa pelo menos R$ 1.895.

A suíte presidencial, onde se hospedou a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, em 1968, serve de moradia para o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), preso em 2014 no processo do Mensalão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na ocasião, o atual presidente do PDT disse que possivelmente se mudaria caso o hotel fosse arrematado, já que tinha “condições especiais” acertadas com o dono.

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Briga na Justiça
A família Canhedo chegou a entrar com um pedido de suspensão do leilão na Justiça de São Paulo. No dia 11 de outubro, uma liminar foi negada pela juíza Adriana Bertier Benedito.

O vice-presidente do Hotel Nacional, Wagner Canhedo Filho, disse à reportagem que a situação era “esdrúxula”. Segundo ele, não há qualquer dívida do Hotel Nacional com a Petroforte, portanto, o patrimônio não poderia ser integrado à massa falida da distribuidora.

História
Inaugurado em 1961, o Hotel Nacional tem 10 andares e 347 apartamentos distribuídos em 43 mil metros quadrados. Além da rainha, também fazem parte da extensa lista de hóspedes ilustres: os ex-presidentes dos Estados Unidos Jimmy Carter e Ronald Reagan; o ex-presidente francês Charles De Gaulle; e a ex-primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi.

Por anos, moraram no icônico prédio vários deputados federais e senadores. Durante as décadas de 1960 e 1970, houve o auge dos bailes de gala, frequentados pela alta sociedade de Brasília. O lugar também era ponto de encontro para namorados e escondeu muitos segredos, como relacionamentos extraconjugais.

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Atualmente, segundo funcionários, os principais hóspedes do hotel são políticos “menos poderosos” de outras cidades. Sindicalistas também costumam dar as caras no empreendimento, mas geralmente ficam hospedados apenas durante a semana. Com a mudança no perfil da clientela, as festas de gala deram espaço para eventos corporativos.

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