Por demora no julgamento, homem que vendia drogas na Esplanada é solto
O acusado estava encarcerado há 252 dias e ainda não tinha sido levado a julgamento. Situação que extrapola o princípio da "razoabilidade"

A Justiça do Distrito Federal decidiu soltar um dos presos na Operação Delivery da Polícia Civil, que teve como alvo um grupo que vendia e entregava drogas em órgãos públicos no centro da capital. Dimas Carvalho, 52 anos, estava preso preventivamente desde 6 de fevereiro deste ano. Ele foi colocado em liberdade devido à demora no julgamento.
Na decisão proferida nessa quinta-feira (18/10), a 3ª Vara Criminal ressaltou que Carvalho estava preso há 252 dias e o fato de ainda não haver previsão para o último interrogatório de outro preso, que deve ocorrer em Palmas (TO). A duração razoável do processo criminal é de 105 dias, não podendo ultrapassar 148 dias.
“Diante dessa situação, entendo que a manutenção da segregação cautelar não se mostra compatível com o princípio da razoabilidade, pois não se pode admitir a prisão de alguém por mais tempo do que determina a lei, a fim de aguardar o início da instrução criminal, quando não concorreu para a demora”, diz decisão assinada pelo desembargador João Batista Teixeira.
Os 23 acusados presos na operação vendiam diversos tipos de entorpecentes, como escama de peixe (cocaína pura), haxixe, maconha, merla e LSD. Usavam motocicletas para entregá-los. O material vinha da Bolívia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs traficantes atuavam somente no DF, especialmente para atender demanda da Esplanada dos Ministérios. Entre os clientes, jornalistas, médicos, servidores públicos. A investigação foi conduzida pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central).
Todas as unidades do Departamento de Polícia Circunscricional (DPC) foram escaladas para a operação que ocorreu em fevereiro. A PCDF apreendeu, entre outros materiais, entorpecentes, pneus, arma de fogo, dinheiro, arma de choque, celular e dichavador (para triturar a droga).
Com o grupo, os investigadores encontraram grande quantidade de haxixe, avaliada em R$ 10 mil, por exemplo. Uma única pedra custa R$ 50. Se condenados, os presos podem pegar até 30 anos de cadeia.



















