Caso Noélia: em julgamento de acusado, irmão da vítima pede pena máxima

Assassino da vendedora, o vizinho da família Almir Evaristo, 43, está sendo julgado nesta quinta-feira (26/11), no Fórum de Águas Claras

atualizado 26/11/2020 15:10

Reprodução/Redes Sociais

O vizinho da vendedora Noélia de Oliveira Rodrigues, 38 anos, Almir Evaristo Ribeiro, 43, acusado pelo feminicídio da vítima, no ano passado, está sendo julgado nesta quinta-feira (26/11), no Fórum de Águas Claras. Irmão da vítima, Dogival Guedes, participou da videoconferência e disse que o desejo dos familiares é que o acusado pegue a pena máxima.

“Nós, familiares e amigos de Noélia, temos um grande objetivo e desejo aqui hoje, que haja justiça e que o criminoso pegue a pena máxima”, afirmou.

Ao Metrópoles, Dogival comentou que, após o feminicídio de Noélia, ele precisou se mudar para o Ceará para cuidar dos pais de 83 e 82 anos, que não se conformam com a morte da filha caçula de 14 irmãos.

O crime ocorreu em 17 de outubro de 2019, em Vicente Pires. O réu foi denunciado por homicídio duplamente qualificado, por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima (disparo de arma de fogo à curta distância), feminicídio (condição em que a vítima é morta por ser mulher) e por porte ilegal de arma de fogo.

Ele pode ser condenado a uma pena de 12 a 30 anos de reclusão.

O julgamento teve início às 9h e pode ser acompanhado virtualmente. Ele ocorre um dia após o dia Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, com diversas campanhas de conscientização realizadas na quarta-feira (25/11).

O crime

Segundo as investigações, no dia do crime, por volta das 22h, Evaristo ofereceu carona para Noélia, que entrou no carro do acusado em uma parada de ônibus na W3 Norte. Na região de Vicente Pires, ele entrou em uma estrada marginal, parou o veículo e disparou contra a mulher, que morreu no local.

O corpo de Noélia foi encontrado no Assentamento 26 de Setembro, no dia seguinte ao desaparecimento. De acordo com peritos do Instituto de Criminalística (IC) que analisaram o local onde o crime ocorreu, a vendedora levou um tiro à queima-roupa no rosto.

0
Testemunhas

O marido da vítima, Marcos Paulo Mendes Santana, foi a primeira testemunha a ser ouvida. À época do crime, ele conseguiu provar que não teve nenhum envolvimento com o assassinato.

Ao ser indagado pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), se ele conhecia Evaristo, ele afirmou que eles moravam no mesmo endereço, eram vizinhos e já havia visto telefonemas do homem para a sua esposa. Marcos levou o extrato de ligações ao conhecimento da polícia.

No depoimento, ele lamentou a morte de Noélia. “Não é fácil. Falta o exemplo feminino dentro de casa. A figura da mãe para os filhos”, disse.

Policiais civis que integraram as equipes responsáveis pelas investigações, também participaram como testemunhas das oitivas.

Eles relataram que, durante as apurações, Almir demonstrava querer contar algo, chorava ao prestar depoimentos e, em uma oportunidade, confessou o crime em conversas informais.

Contou que tinha um relacionamento extraconjugal com a vítima e, naquele dia, Noélia teria pedido para que ele pagasse um curso para que ela tirasse carteira de motorista. Almir teria recusado e a vítima reagiu com xingamentos. Nervoso, o acusado teria sacado a arma e apontado para o rosto de Noélia. O revólver, segundo os agentes que ouviram Almir, teria escorregado e um disparo acabou atingindo o rosto da vítima.

Depoimento

Em audiência realizada no mês de fevereiro deste ano, a versão de Almir para a morte da vendedora foi diferente. O depoimento foi prestado durante audiência de instrução e julgamento no Fórum de Águas Claras, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). De acordo com o operador de máquinas, ele foi “vítima de injustiça”.

Na versão dele, no dia da morte, Noélia teria pedido carona, mas, de última hora, cancelou. Ele afirma que já estava no shopping onde a vendedora trabalhava havia duas horas. No entanto, apenas aceitou a decisão dela e voltou para casa.

Segundo Almir, ele não cometeu o crime e não sabe quem pode ter matado a mulher, de quem era vizinho. “Eu era apenas amigo dela e tinha uma relação tranquila”, disse. “Estão me acusando de algo que não cometi”, alegou.

Denúncia

Em novembro de 2019, o MPDFT denunciou Almir pelo assassinato de Noélia e por porte ilegal de arma de fogo. Ele está detido desde o fim de outubro do ano passado e teve prisão temporária convertida em preventiva pela Justiça no mês de novembro.

Últimas notícias