Caixa de Pandora: TRF1 julga Bandarra e Guerner pelo crime de extorsão

Eles são acusados de cobrar R$ 2 milhões para evitar a divulgação de um vídeo em que o ex-governador Arruda aparece recebendo dinheiro

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atualizado 17/07/2019 19:01

Os promotores afastados do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Leonardo Bandarra e Deborah Guerner serão julgados nesta quinta-feira (18/07/2019), às 14h, na Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Eles são acusados de extorquir o ex-governador José Roberto Arruda (PR). O crime foi revelado na Operação Esperança, um desdobramento da Caixa de Pandora, o maior escândalo de corrupção da história da capital do país.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), em julho de 2009, Guerner, com o auxílio e orientação de seu marido, Jorge Guerner, e do então procurador-geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Leonardo Bandarra, dirigiu-se à residência oficial do então chefe do Executivo local para uma audiência.

Na ocasião, a ex-promotora ameaçou divulgar uma gravação de Arruda recebendo de Durval Barbosa uma quantia em dinheiro, caso não obtivesse um pagamento de R$ 2 milhões. Guerner ainda pediu favorecimento para uma empresa na qual seu marido tinha negócios.

O processo foi acolhido por unanimidade no dia 27 de julho de 2011, mas acabou redistribuído em agosto de 2018, o que atrasou a tramitação. Atualmente, o caso contra eles está perto do prazo de prescrição.

Perda dos cargos

Leonardo Bandarra e Deborah Guerner foram condenados no mês passado pela mesma Corte e também no bojo da Operação Esperança, por concussão, violação de sigilo funcional e sentenciados à perda dos cargos públicos. Na ocasião, Jorge Guerner foi condenado pelo crime de receptação.

Além dos promotores, são réus na ação por extorsão: o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa; Marcelo Carvalho; e Jorge Guerner, empresário e marido da promotora.

O caso começou a ser analisado em janeiro pelo TRF1, que interrompeu o julgamento no dia 31. O processo é relatado pelo desembargador federal Kassio Nunes Marques. Em seu voto, Kassio defende que Deborah e Bandarra sejam considerados culpados. Marques também vê motivos para a condenação de Jorge Guerner, dono da empresa do setor de lixo. Na época, o procurador regional da República Bruno Calabrich, do MPF, classificou de “nefasta” a conduta dos promotores e do marido de Guerner.

“Tal conduta revelou-se nefasta e causou grave prejuízo à administração pública, eis que violados princípios basilares que norteiam toda a atividade estatal, além de agredir a credibilidade do Ministério Público e de trair a confiança do Judiciário”, afirmou Calabrich.

Deborah Guerner e Leonardo Bandarra foram afastados das funções no Ministério Público em 2012. No entanto, até hoje recebem salários pela função no órgão. A cada mês, Débora Guerner ganha R$ 22,6 mil e Bandarra, R$ 27,5 mil.

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