Assassinas confessas do Caso Rhuan são julgadas no tribunal do júri no DF

Duas mulheres, entre elas a mãe da vítima, são acusadas de matar, esquartejar e carbonizar o menino, em 31 de maio de 2019

atualizado 25/11/2020 16:21

Imagem cedida ao Metrópoles

As duas mulheres acusadas de matar, esquartejar e carbonizar o menino Rhuan Maycon da Silva Castro em maio do ano passado, em Samambaia, são julgadas nesta quarta-feira (25/11) no tribunal do júri da região administrativa. O caso gerou comoção nacional pela brutalidade com que Rosana Auri da Silva Cândido, mãe da vítima, e  Kacyla Priscyla Santiago agiram, tirando a vida da criança, aos 9 anos.

O julgamento de Rosa e Kacyla acontece desde as 9h. Durante a manhã, as testemunhas do caso foram ouvidas, inclusive policiais que atuaram na prisão das acusadas e na investigação dos fatos.

A dupla esquartejou Rhuan, perfurou seus olhos e dissecou a pele do rosto. Elas também tentaram incinerar partes do corpo em uma churrasqueira, com o intuito de destruir o cadáver e dificultar o seu reconhecimento. A fumaça produzido pelo cadáver cabonizado fizeram com que vizinhos do casal chamassem a polícia.

O corpo do menino foi enterrado em Rio Branco, no Acre, em  5 de junho de 2019, sob um clima de comoção e pedidos de justiça.

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O crime

O assassinato de Rhuan ocorreu entre as 21h e as 22h do dia 31 de maio. Conforme a polícia, Rosana deu a primeira facada contra o tórax do filho enquanto ele dormia. Kacyla teria segurado a vítima e sua companheira desferiu pelo menos mais dois golpes.

Em questão de minutos, a mãe decapitou a criança, e ambas iniciaram o esquartejamento do corpo. Parte da pele do rosto foi retirada e colocada na churrasqueira, acesa pela namorada momentos antes do assassinato. O cheiro forte e o endurecimento da carne teriam demovido as duas do plano de se livrar das provas daquela maneira, e elas se voltaram ao descarte do cadáver mutilado com uso de duas mochilas escolares e uma mala.

A casa em que tudo aconteceu é grudada à residência principal do lote, mas ninguém teria ouvido qualquer barulho durante toda a barbárie. Isso porque um churrasco com música e bebidas acontecia ao lado, e os sons encobriram qualquer ruído do homicídio. A fumaça das carnes sendo grelhadas na residência vizinha também apagaram os odores da tentativa frustrada de queimar a pele de Rhuan.

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Por volta das 23h, G., sobrinho da vizinha que mora em frente à cena do crime, saía da casa da tia para uma festa em uma quadra próxima e avistou Rosana deixando o lote. De acordo com ele, a mulher caminhava com uma mala grande nas mãos.

Instantes depois, a mãe do garoto passou por uns meninos jogando queimada na rua, que a acertaram sem querer, pediram desculpas e perguntaram o que a mulher carregava. “Roupas velhas”, respondeu, então seguiu seu caminho até a QR 425, em local próximo a uma creche.

Segundo uma testemunha contou à reportagem, alguns rapazes viram Rosana, com a mala em mãos, observando uma boca de lobo aberta na beira da pista. Eles também teriam perguntado o que havia na bolsa, e a resposta teria sido a mesma. Ela, então, teria jogado a mala no buraco e partido. Os jovens, que observavam de longe a movimentação da mulher, foram ao local assim que ela sumiu de vista. Um deles desceu na abertura, de olho em algum bem valioso talvez deixado pela mulher.

Na descrição de um dos rapazes que afirmam ter visto a cena, quando o amigo abriu a mala, a cabeça de Rhuan, com uma faca cravejada, rolou para fora – e o jovem saltou em desespero, gritando. Em estado de choque, eles acionaram a polícia.

Por volta das 2h, a corporação esteve na casa onde Rosana, Kacyla e a filha dela dormiam. Conforme o delegado Guilherme Sousa, estava tudo preparado para uma fuga, pois havia malas prontas e documentos organizados.

O delegado adjunto da 26ª DP acredita que a outra criança tenha testemunhado todo o crime. Ela teria, contudo, fingido que estava adormecida, provavelmente por medo de se tornar vítima também. De acordo com um dos vizinhos que acompanharam as prisões das mulheres, a menina tremia e parecia fragilizada quando saiu de casa.

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