Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Escultura de Exú amanhece com lona e amarrada na Praça dos Orixás

Ato de intolerância religiosa ocorreu durante montagem do Réveillon da Praça dos Orixás. Exú foi coberto com lona plástica

30/12/2022 15:28, atualizado 30/12/2022 17:52
Divulgação
Intolerância religiosa: imagem de Exú é tapada na Praça dos Orixás

A escultura de Exú na Praça dos Orixás em Brasília foi coberta e amarrada com uma lona plástica, tapando a imagem sagrada. O caso ocorre dias antes da celebração do Réveillon da Praça dos Orixás, evento tradicional de religiões de matrizes africanas.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
“Respeitar qualquer território comum, com o devido cuidado e zelo, tanto por parte da comunidade, quanto do governo, é uma determinação de nossa Constituição. Essa ação é, portanto, desrespeito à lei”, disse Mãe Baiana de Oyá, representante de entidades que preservam o espaço.

Ela explica ainda que Exú, apesar de ser associado por preconceituosos como uma figura “do demônio”, simboliza “o caminho, a esperança, prosperidade, comunicação entre o céu e a Terra”. “É ele que faz essa comunicação a favor de nós, seres humanos. Precisamos de Exú. É o mensageiro do orixá, é o mensageiro do próprio Deus. Então, temos um respeito muito grande por essa figura, esse espírito.”

A Praça dos Orixás é alvo constante de ataques de intolerância nos últimos anos. Em agosto de 2021, em um dos casos mais recentes, a estátua de Ogum foi queimada. O local já foi alvo de incêndios criminosos outras vezes.

Também no ano passado, em novembro, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu informações ao Governo do Distrito Federal (GDF) sobre as providências tomadas para combater o vandalismo na praça. O espaço tem estátuas com símbolos de religiões de matriz africana.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

No ano novo, religiosos celebram a passagem com comemorações tradicionais na Praça dos Orixás. O evento deste ano está sob responsabilidade da instituição denominada Missão Hoje, que atua na promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico.

“Enxame de abelhas”

Apesar das denúncias de possível intolerância religiosa, a Federação de Umbanda e Candomblé e a Secretaria de Cultura enviaram nota sobre o caso após a repercussão. O texto esclarece que a imagem foi tapada por conta de um enxame de abelhas no local.

“Como as abelhas estavam atacando os ativistas e visitantes praticantes de religiões de matriz africana, os bombeiros foram acionados, tiraram as abelhas e elas retornam à estátua. Para segurança do público presente nas festividades do réveillon, optou-se por cobrir a estátua temporariamente e retirá-la do local, enquanto durasse a festa. É importante ressaltar que essa ação foi coordenada com o representante da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, Rafael Moreira , a pedido dele, para que os festejos afro-brasileiros pudessem ser preservados. Assim que passarem as festividades, a estátua será devolvida ao local”, divulgou a pasta de Cultura.