Idosa que infartou ao ser acusada de furto deve ir para hospital particular

Milta de Jesus Oliveira passou por procedimento de cateterismo na tarde desta terça, no Hospital Universitário de Brasília (HUB)

atualizado 01/12/2020 20:54

Milta de Jesus OliveiraArquivo pessoal

A idosa Milta de Jesus Oliveira, 75 anos, deve ser transferida para um hospital particular após passar por procedimento de cateterismo no Hospital Universitário de Brasília (HUB) na tarde desta terça-feira (1º/12). Ela sofreu um infarto no último sábado (28/11), após ter sido acusada de furtar um chinelo no Atacadão Super Adega, no Jardim Botânico.

O tratamento no hospital privado deve ser pago pelo atacadão onde aconteceu o infarto. “Ela fez o cateterismo e o exame deu um resultado bom, mas ela vai ter de continuar o tratamento. Como os exames no público demoram pra sair, estou cuidando da remoção dela pro privado pra ela continuar o tratamento custeado pelo Super Adega”, contou a neta Sandrine Oliveira de Jesus.

Milta é hipertensa e controlava a pressão com uso de remédios. A paciente chegou a ser atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião e foi transferida na madrugada de segunda-feira (30/11) para a unidade hospitalar da Universidade de Brasília (UnB). Relatório médico indica um infarto agudo do miocárdio.

Segundo o HUB, o cateterismo, realizado no início desta tarde, não mostrou nenhuma obstrução significativa. “Portanto, Milta voltou para a UTI após o procedimento, onde segue internada para monitoramento e aguarda o resultado de exames laboratoriais”. Ainda conforme a unidade, o quadro de saúde da paciente é estável.

Ainda nesta terça, investigadores da 30ª DP começaram a ouvir os depoimentos do caso. Além da oitiva dos familiares, os policiais também foram ao local dos fatos para falar com funcionários e colher imagens de câmeras de segurança. A ocorrência foi registrada na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como “calúnia” e “crime contra idosos”.

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Entenda o caso

Antes de sofrer o infarto, a aposentada estava acompanhada de familiares. Quando eles foram passar as compras no caixa, ela foi surpreendida com o comportamento dos funcionários.

“Após passar todas as compras, cujo valor foi mais de R$ 600, em tom de voz alterado e audível para todos os outros clientes que estavam na fila ouvirem, faz-lhe o seguinte questionamento: ‘A senhora vai pagar essas sandália que furtou também?’”, relembrou a neta Grazielle Oliveira.

Nervosa, a aposentada tentou explicar que aquele chinelo que calçava era um presente. Falou que é uma mulher honesta e que nunca furtou ou roubou nada de ninguém. Segundo os familiares, a funcionária do caixa chamou um dos seguranças. A equipe queria que a mulher provasse que as sandálias, da marca Havaianas, não era produto de furto.

“Após ser acusada de furto e todo o escândalo armado pela funcionária do caixa e a grosseria dos seguranças desse atacadão, ela começou a se sentir mal. A pressão subiu. Jamais pensou que nesta idade seria vítima de tamanha injustiça e desrespeito”, completou Grazielle.

Depois da discussão, o gerente do local, segundo relato das testemunhas, se desculpou, afirmando que a idosa era muito parecida com uma suspeita de furtar sandálias no local. Além da Polícia Civil, a família, que mora em São Sebastião, denunciou o caso à ouvidoria da Super Adega. O atacadista adiantou-se em pagar tratamento médico e psicológico para a vítima.

Ao Metrópoles, a equipe jurídica da Super Adega confirmou os fatos e ressaltou que foi oferecido um leito no Hospital Daher ou no Hospital Santa Luzia, mas como surgiu uma vaga na rede pública, a família optou pela transferência para o HUB.

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