Ibaneis: “Moro conhece de corrupção, mas nada de segurança”

A declaração do governador foi dada quando questionado pelo Metrópoles sobre a vinda de Marcola para Brasília

atualizado 23/03/2019 15:33

Igo Estrela/Metrópoles

O governador Ibaneis Rocha (MDB) voltou a atacar, de forma dura, a transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, de Porto Velho (RO) para o Presídio Federal de Brasília. Ao chegar a evento na Candangolândia neste sábado (23/3), o chefe do Executivo local disse que o ministro da Justiça, Sergio Moro, não o comunicou da vinda do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) ao DF.

“Fui avisado depois e achei isso um desrespeito. Moro conhece muito de corrupção, de segurança provou que não conhece nada”, disparou, ao responder aos questionamentos da reportagem do Metrópoles. De acordo com Ibaneis, logo após a transferência, Moro o telefonou e “ouviu poucas e boas”.

Ouça entrevista com o governador:

Ibaneis disse que fará de tudo para que Marcola não fique na capital do país. “Estou preparando uma ação Judicial, com base na Lei de Segurança Nacional. Vou entrar na Justiça contra essa transferência e fazer todas as gestões junto ao governo federal para mostrar que isso é um absurdo”, afirmou. O emedebista vai pedir o fechamento do presídio.

Segundo o governador, o GDF não pode deixar o crime organizado se instalar em Brasília. “Tenho certeza de que o presidente da República (Jair Bolsonaro), com sua sensibilidade, terá consciência de que não podemos ter o crime organizado junto ao poder no Distrito Federal”, ressaltou.

O titular do Palácio do Buriti também lembrou da operação deflagrada nessa sexta (22) pela Polícia Civil que prendeu oito integrantes do PCC. “Estamos fazendo a nossa parte. Mas é o maior absurdo do ponto de vista da segurança pública que eu já vi. Trazer o Marcola para ficar a 6 km do presidente da República”, completou. Ainda de acordo com Ibaneis, a inteligência da PCDF detectou que os criminosos estão se instalando no Distrito Federal e Entorno.

Marcola foi trazido para Brasília nessa sexta-feira (22). Conforme o Metrópoles mostrou, Ibaneis reagiu imediatamente. “Temos aqui os principais tribunais, todas as representações diplomáticas, o presidente da República, e a nossa sociedade, que não pode ficar sujeita ao crime organizado”, reforçou Ibaneis na Candangolândia, onde abriu o mutirão da cidadania SOS Justiça neste sábado.

A chegada de Marcola
O avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) com o líder da facção criminosa pousou por volta das 13h20 na capital federal. Marcola chegou à penitenciária federal por volta das 14h20. Além do criminoso, outros três integrantes do PCC vieram no mesmo voo e vão ficar em Brasília: Cláudio Barbará da Silva, Patrik Wellinton Salomão e Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal.

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Além deles, já estão no presídio do DF: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, que é irmão de Marcola; Antônio José Müller, o Granada; e Reinaldo Teixeira dos Santos, conhecido como Funchal ou Tio Sam.

De acordo com o Ministério da Justiça, “a ação é parte dos protocolos de segurança pública relativa à alternância de abrigo dos detentos de alta periculosidade ou integrantes de organizações criminosas, entre as unidades prisionais federais”.

A chegada deles ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) fizeram operação contra a expansão da facção criminosa na capital da República.

Repercussão negativa
A decisão do Ministério da Justiça repercutiu mal na área de segurança, entre os políticos de oposição e da base. Também foi criticada pela Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF). O presidente da entidade, Délio Lins e Silva Júnior, disse que a ida de presos como Marcola para qualquer penitenciária acarreta deslocamento das facções para as referentes unidades da Federação. “Existe essa movimentação e crimes estão ocorrendo fora do padrão no DF. A preocupação da OAB é principalmente com a sociedade”, ressaltou.

“Acreditamos que a chegada de Marcola pode fortalecer os faccionados perante os outros criminosos de Brasília. A Polícia Civil vai continuar fazendo trabalho intenso para evitar a instalação dessa organização aqui”, ratificou o delegado Leonardo Cardoso, titular da Coordenação Especial de Repressão à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública e Contra a Ordem Tributária (Cecor).

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